Adoro passear pelas ruas do Rio relembrando suas histórias, conservando na memória os detalhes que marcaram nossa colonização, o Império brasileiro e a República nascente. E sinto um misto de alegria com tristeza quando levo um nutrido grupo de pessoas para conhecer tantos desses lugares desconhecidos, menos limpos e mal sinalizados! Para muitos é novidade; para todos, uma surpresa.
Moramos aqui como inquilinos. Quando a coisa não é própria, perde-se a memória.
Na verdade, moramos ao avesso. Se a vitrine é o limbo da cidade, nem dentro nem fora, o shopping deve ser o sepulcro urbano em que as casas são lojas cujas fachadas são as vitrines.
Vale a pena reconquistar esse terreno, pois aqui vale a alma. Não só a de cada um de nós, mas também a alma da nação.
