Não pretendo entrar no mérito das “bios” (a breve descrição que o twitteiro faz de si), em que aparecem afirmações tão indefinidas, lacônicas ou desestimulantes quanto “sou uma incógnita — vivo em perpétua mutação — alguém que ama a vida”.
Restrinjo-me tão somente a algumas frases que me surpreendem, sem fazer referência a seus autores, como mote para as presentes considerações. Naturalmente, sofrerão de forte viés pois cinjo-me às pessoas que sigo; por outro lado, não devem ser injustamente generalizadas.
Vira e mexe, deparo-me com frases do tipo: “basta ter fé na vida” — como se a vida resolvesse as coisas por sua conta. Ou então, numa troca de impressões entre pessoas cujo comportamento não é dos mais exemplares: “mantenha seu coração puro”.
Finalmente, há quem demonstre leitura mas faça alarde de vacas sagradas da indústria cultural (Almodóvar, Nietzsche, etc.), atribuindo-lhes o mérito de terem denunciado a hipocrisia da sociedade. Grande generalização, pois essas denúncias são aplicáveis aos hipócritas, não à sociedade como um todo. Além disso, com o que contribuíram esses autores para melhorar o nosso mundo?
Convenhamos que tais afirmações padecem de uma estranha enfermidade intelectual, assaz contagiosa: quem lê ou ouve essas singelas declarações tende a aceitá-las, sem perceber sua falácia. Não digo que haja má intenção em quem as fale, mas sim que falte profundidade, coerência e substância.
Solução? Leitura, leitura, leitura. De livros sim, não do Twitter.
Qual foi o seu tweet mais sincero?