Regras do amor, lavradas em manuscrito e ditadas pelo próprio Rei do Amor (cf. Tratado do Amor Cortês, Livro II, pág. 260-2):
I. O casamento não é desculpa válida para não amar.
II. Quem não tem ciúme não pode amar.
III. Ninguém pode ligar-se a dois amores ao mesmo tempo.
IV. É certo que o amor sempre aumenta ou diminui.
V. O que o amante obtém sem assentimento da amante não tem sabor algum.
VI. O homem só pode amar depois da puberdade.
VII. Depois da morte do amante, quem sobreviver deverá esperar dois anos.
VIII. Ninguém deve ser privado do objeto de seu amor sem a melhor das razões.
IX. Ninguém pode amar de verdade se a isso não for incitado pelo amor.
X. O amor sempre abandona o domicílio da avareza.
XI. Não convém amar mulher que nos envergonhe desposar.
XII. O verdadeiro amante não deseja estar em outros braços que não sejam os de seu amante.
XIII. Quando o amor é divulgado, raramente dura.
XIV. A conquista fácil torna o amor sem valor; a conquista difícil dá-lhe apreço.
XV. Todo amante deve empalidecer em presença do amante.
XVI. Quando um amante avista de repente a mulher amada, seu coração deve começar a palpitar.
XVII. Amor novo expulsa o antigo.
XVIII. Só a virtude torna alguém digno de ser amado.
XIX. Quando diminui, o amor desaparece depressa e raramente se revigora.
XX. O enamorado sempre tem medo.
XXI. O verdadeiro ciúme sempre aumenta o amor.
XXII. Quando se suspeita do amante, aumentam o ciúme e a paixão.
XXIII. Quem é atormentado por cuidados de amor come menos e dorme pouco.
XXIV. Todo ato do amante tem como finalidade o pensamento da mulher amada.
XXV. O verdadeiro amante não acha bom nada daquilo que não lhe pareça agradar à amante.
XXVI. O amante não sabe recusar nada à amante.
XXVII. O amante nunca se sacia dos prazeres que encontra junto à mulher amada.
XXVIII. A menor desconfiança leva o amante a suspeitar do pior na bem-amada.
XXIX. Quem é excessivamente atormentado pela luxúria não ama de verdade.
XXX. O verdadeiro amante é obcecado ininterruptamente pela imagem da mulher amada.
XXXI. Nada impede que uma mulher seja amada por dois homens e um homem por duas mulheres.
