Europa conceito cultural, não geográfico
A Europa herdou, portanto, a fé de Israel e a razão da Grécia. Isso se torna mais patente através do contraste com o catolicismo do Oriente (especialmente na Rússia), o qual criou um mundo próprio, em que não se separam Igreja e Estado. — Logo, a Europa é cristã, mas não é o Cristianismo.
A relação entre tais extremos europeus, a fé e a razão — que, contudo, não têm de necessariamente se oporem — acabou em divórcio. O início da Modernidade vivenciou duas rupturas: as teses do heresiarca Lutero e a descoberta da América. Já no seu final, durante a Ilustração, forjou-se uma teoria sobre o Estado e a história, negando sua origem sacra. No lugar da visão tradicional, propôs-se um Estado laico racional kantiano.
Consequências dessa evolução foram a separação entre Igreja e Estado, os direitos humanos e a democracia. O Cristianismo esteve sempre presente ao longo desse caminho, mas hoje é visto como “mal a ser extirpado” da cultura europeia.
Por isso, Bento XVI sempre sugere que o conceito de “racionalidade” seja ampliado. Com efeito, a Ilustração foi um momento de manipulação e reconstrução semântica dos conceitos.
Sequestradores da Europa
Embora muitos pensem no Cristianismo como o raptor da Europa, os verdadeiros inimigos da Europa são:
1) O Islã, pois não aceita a razão grega e a separação entre fé e lei.
2) O Iluminismo kantiano, pois, ao renegar o acesso à verdade, criou uma cultura de utopia, messianismos e ideologias.
3) O nacionalismo fragmentador, especialmente o nacional-socialismo.
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O quanto isto nos afeta?
