Os responsáveis pela primeira redescoberta do valor do trabalho foram os protestantes.
Desde sua ética individualista, tanto Lutero quanto os puritanos calvinistas viam nos próprios deveres intramundanos uma “chamada” de Deus. Mas estes, seguidos pelos pietistas e metodistas, trouxeram uma ulterior novidade: a convicção de que o amor santifica a vida corrente.
O ponto débil dessa interpretação radica na forma unilateral com que o protestantismo rechaça o celibato, o sacerdócio e o monacato para defender a mundanidade da existência humana. Com efeito, é contraditório ou paradoxal afirmar a mundanidade e defender ao mesmo tempo a tese luterana de que o homem e o mundo estão radicalmente corrompidos. Numa perspectiva protestante, nem o trabalho como “vocação” nem sua “santificação” podem entranhar salvação.
Por isso, o luteranismo tendeu ao providencialismo (aceitação passiva das circunstâncias ditadas pela vontade de Deus). O calvinismo, por sua vez, tendeu à adoção de instrumentos de coação e domínio (dinâmica revolucionária para encobrir a corrupção do mundo mediante o esforço humano).
Nesse sentido, Max Weber fala de uma “ascese intramundana” protestante, que gerou uma moral do esforço e do êxito. Também há aqui se faz patente outra contradição: segundo a tese luterana original, a justiça não pode vir pelas obras.
Portanto, a inclinação protestante ao mundo e à vida ordinária não corresponde a uma autêntica afirmação do mundo. Trata-se, em certo sentido, de uma forma secularizada do ideal ascético monástico.
Nesse sentido, Max Weber fala de uma “ascese intramundana” protestante, que gerou uma moral do esforço e do êxito. Também há aqui se faz patente outra contradição: segundo a tese luterana original, a justiça não pode vir pelas obras.
Portanto, a inclinação protestante ao mundo e à vida ordinária não corresponde a uma autêntica afirmação do mundo. Trata-se, em certo sentido, de uma forma secularizada do ideal ascético monástico.
Mundanismo e consciência religiosa
O ideal utilitarista da diligência (o “time is money” de Benjamin Franklin) não possibilita nem teologia, nem espiritualidade. Mas se disseminou em todo o Ocidente. Eis a causa da concorrência moderna entre mundanidade e consciência religiosa.
No campo católico, muito se acusou o ora et labora beneditino de ser uma instrumentalização do trabalho para fins ascéticos, como mero combate ao ócio monacal. Contudo, embora o trabalho do religioso não lhe advenha de fato do seu interesse pelo mundo, também é pautado por uma preocupação positiva, coerente com sua vocação e missão: buscar energia espiritual para o mundo.
O ideal utilitarista da diligência (o “time is money” de Benjamin Franklin) não possibilita nem teologia, nem espiritualidade. Mas se disseminou em todo o Ocidente. Eis a causa da concorrência moderna entre mundanidade e consciência religiosa.
No campo católico, muito se acusou o ora et labora beneditino de ser uma instrumentalização do trabalho para fins ascéticos, como mero combate ao ócio monacal. Contudo, embora o trabalho do religioso não lhe advenha de fato do seu interesse pelo mundo, também é pautado por uma preocupação positiva, coerente com sua vocação e missão: buscar energia espiritual para o mundo.
O opus Dei (trabalho de Deus) pregado por São Josemaria Escrivá no século XX trouxe ênfase distinta e demarcou diferenças básicas e essenciais. A meta da santificação do trabalho, em vez de ser a salvação pelo próprio trabalho (como no protestantismo), é proposta aos católicos leigos como abertura à graça divina e à atuação de Deus no trabalho ordinário, através do qual Cristo atrai a si todas as coisas.
