Lendo o livro de Josef Pieper sobre as Virtudes Fundamentais, encontrei uma discussão bastante interessante sobre a desaparição da prudência entre dois polos opostos: a casuística e a aventura.
A experiência, com base nos sucessos e fracassos, traz à tona medos e esperanças. Os amigos e companheiros, mediante advertências ou alentos, corroboram nossos projetos e decisões. Assim amadurecemos, construindo um corpo de pressupostos e critérios de atuação.
A primeira questão é reconhecer naquela tentação a inflação desta maturidade.
A segunda questão é reconhecer a utilidade da casuística enquanto análise e classificação dos casos particulares.
Certos sistemas, que caíram na tentação, consideraram indevidamente a casuística o elemento mais importante da doutrina moral, propiciando não poucos desvios éticos.
Toda uma educação pautada nessa inflação gerou nas pessoas o prazer barato de entoar cânticos ao risco e à aventura na decisão moral e, ao mesmo tempo, tornou a casuística alvo de zombaria.
De fato, a casuística — filiada nas disciplinas jurídicas e propícia para as análises judiciais — não garante a ânsia humana de certeza para minha ação de agora. Utilizada com este fim, pode mutilar minha liberdade ou me degenerar numa petrificação desumana.
Mas o extremo oposto também conduz a um beco sem saída. O que pressentimos em nossos amigos e até em nós mesmos são incertezas, tentativas, erros, desilusões e justificativas. A arte, a técnica, a performance em lugar do real, da prudência, da consciência.
Nem todos ousam formular em termos existenciais esse comportamento inconsequente. Muitos adotam discursos contraditórios que permitem soluções sentimentais, transferindo a responsabilidade moral para as circunstâncias.
Estou convencido de que precisamos nos libertar tanto do formalismo quanto do pragmatismo. O que você pensa disso? Você pende mais para que lado?
