28 de mai de 2011

A arte de tergiversar

O atalho da mentira

Defender no mesmo processo o autor e o réu não é exclusividade de advogados criminosos. Todos nós, em maior ou menor escala, tendemos a fazer valer nossas opiniões mediante subterfúgios, rodeios e evasivas.

Com efeito, a verdade sempre se aproxima sorrateira, e o desafio de conquistá-la faz recuar os corações pouco ousados. A verdade é como uma mulher poderosa, e é bem mais cômodo conquistar quem tem mais aparência do que conteúdo.

Quando o costume de tergiversar se torna corriqueiro, minam-se as bases do diálogo e fica comprometida a possibilidade de se construir um verdadeiro conhecimento.

Mapa da ignorância

Convém ter presente que existe um cânon clássico de questões imposto a cada ramo do saber, em parte oriundo do desajuste entre a linguagem acadêmica e a compreensão popular.

Parece-me mais grave essa situação no caso do Cristianismo, pois a incompreensão pública advém em grande parte dessa ânsia de tergiversação. Talvez não seja necessário esmiuçar aqui o “credo dos ignorantes”; pelo menos, haverá tempo para fazê-lo noutra postagem.

Redescobrir a saída

Para dar resposta a tantos interrogantes estapafúrdios que nos são lançados por todo lado, é preciso aprender a arte de falar ao coração. Mais do que convencer por argumentos, é preciso conquistar através da nova estética, pois o homem moderno pensa por sentimentos. É a tergiversação da tergiversação. Ensinar o direito com mão esquerda. Descobrir novas formas de comunicar.

Alguns estudos profundos, pesquisas profissionais ou ideias interessantes naufragam quando não são comunicadas do modo adequado. Não é suficiente ter razão, é preciso fazer-se entender. É preciso conhecer como funcionam os processos de aceitação ou rejeição dos argumentos pela opinião publica; como nascem, crescem e mudam as tendências sociais; qual é a dinâmica dos movimentos da cidadania nas sociedades democráticas e pluralistas; quem são os que tomam as decisões que influem no âmbito internacional e como o fazem; que características tem a linguagem das tribunas públicas.

O caminho do amor

A communio é o melhor método educativo para fazer uma filosofia que ame a verdade em qualquer lugar onde esta se encontrar. Amar a verdade e manter-se fiel a ela é mais fácil quando isso é feito em comum.

Por outro lado, é preciso reconhecer que nos falta no Ocidente, mesmo entre cristãos, uma nova paixão pessoal e comunitária pela verdade. A verdade soa à intolerância para muita gente.

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E você? Arromba ou possui a chave de acesso aos corações?
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