25 de mai de 2011

Oxumarê vai ao cabeleireiro


Tirei os textos abaixo de Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, cuja leitura é extremamente agradável e instrutiva.

“Iporinche” é cabeleireiro. A cabeça era importante para a religião iorubá. Creio que para o homem de hoje também, mas não no sentido do seu pretenso aspecto numinoso. Refiro-me antes à cabeça-feita, para não dizer desfeita, de certa elite intelectual divorciada da verdade.

Não se revolte contra a chuva. A chuva chove tanto sobre os bons quanto sobre os maus. A natureza é sábia, não queira agir contra a natureza.

***

Oxumarê era filho de Nanã.
No seu destino estava escrito que ele deveria ser
seis meses um monstro e seis meses uma linda mulher.
Aos poucos, Oxumarê-mulher revoltou-se com a mãe,
pois não conseguia nunca uma relação de amor estável.
Quando estava tudo bem com ela e seu amante,
ela virava o monstro e afastava o companheiro.

***

Conta-se que Oxumarê não tinha simpatia pela Chuva.
Toda vez que ela reunia suas nuvens
e molhava a terra por muito tempo,
Oxumarê apontava para o céu ameaçadoramente
com sua faca de bronze
e fazia com que Chuva desaparecesse, dando lugar ao arco-íris.

***

Oxum era mulher de Xangô,
mas vivia enrabichada por Oxumarê.
(…)
Xangô chamou o possível rival para um duelo.
Lutaram por três dias e três noites.
(…)
Xangô matou Oxumarê.
(…)
Tão bonito era Oxumarê que o Senhor Supremo se condoeu
e transformou Oxumarê no arco-íris.
Oxumarê, o rei dos astros,
ficou para sempre vivo lá no céu.
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