25 de abr de 2011

Como o homem se libertou da natureza


Existe lógica na natureza?

O pensamento clássico afirma que natureza é portadora de uma mensagem ética para o homem, que a natureza constitui uma norma moral implícita.

Tal visão de mundo, da que nasceu a ideia de lei natural, pressupõe a existência de uma harmonia entre Deus, o homem e a natureza. O mundo é visto como um todo inteligível, unificado por um logos divino.

Para o Cristianismo, porém, esse logos não é impessoal (como para o estoicismo, por exemplo). Pelo contrário, é uma Pessoa divina, que se fez homem: Jesus Cristo.

Rebeldia moderna

Essas concepções perderam preeminência cultural desde fins da Idade Média. Deixando a natureza de ser vista como norma, a moralidade divorciou-se da estrutura do ser. Daí que David Hume acuse a tentativa de passagem da metafísica para a moral de naturalistic fallacy (paralogismo naturalista).

A derrocada se deu em duas vertentes: a teórica e a prática. Do ponto de vista teórico, depois de São Tomás de Aquino ter apresentado o ser como analógico e não unívoco, Guilherme de Ockham radicalizou a negação da sua univocidade: reduziu o universo à mera justaposição e qualificou de ilusão linguística seu pretenso logos (nominalismo).

Desde a perspectiva prática, o crescimento do voluntarismo consolidou a ὕβρις (insolência, supremo vício para os gregos) como princípio de ação. Pensadores como Pico della Mirandola, Maquiavel, Hobbes, Locke e Nietzsche desenvolveram largamente a tese de Protágoras (o homem como medida de todas as coisas).


Em seguida, veremos algumas consequências dessa dinâmica.
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