6 de out de 2009

Moral a la Matrix

Os sociólogos falam da juventude atual como pertencente à geração do “meu”, que busca o êxito individual, que se conforma às injustiças acriticamente, e que consome tresloucadamente.
Na verdade, tal juventude é filha do “Estado do bem-estar” em que vivemos. O jovem tem capacidade criativa, mas vem condicionado desde o berço. Seria cômodo — e ridículo! — dizer que a “nova” juventude difere da geração anterior completamente.

A educação contemporânea constrói pessoas dependentes das coisas, ansiosas por “boas vibrações”, que consideram a realidade maleável segundo seus desejos subjetivos e suas emoções. Em resumo: narcisistas que vivem a la Matrix, isto é, numa estética sentimental de tensão entre realidade e interioridade.

O futuro desafio consiste, pois, em libertar da frivolidade, da idiotice inútil e perigosa. Despertar o guerreiro dentro de cada um, para tomar coragem de enfrentar os problemas da vida. Discurso moralizador não precisa ser ameaçador, mas tem de ter a força vital de arrastar os desencaminhados. E qual é o convite moral que teria a força necessária para atrair a atenção de uma geração que vive a la Matrix? É o convite à liberdade.

Entretanto, liberdade é palavra gasta, batida. Sem dúvida, implica uma multiplicidade de significados, a maioria dos quais foi descartado por discursos manipuladores. Para já, basta dizer: a liberdade não consiste na carência de vínculos, mas na qualidade desses vínculos e na força vital com que a pessoa os aceita e permanece fiel a eles.

Proximamente poderemos conversar sobre os diversos níveis e significados da liberdade.

Você é livre para escolher ou escravo da escolha?
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