2 de set de 2009

Ainda existe a família brasileira?

Numa revista em quadrinhos do início dos anos 80, li uma tirinha que vem bem a propósito para o que eu gostaria de falar hoje.

Era Natal, e as crianças mostravam umas às outras os presentes que tinham ganhado.

As meninas, todas vaidosas, exibiam suas bonecas: umas choravam, outras pediam mamá; umas mexiam os bracinhos, outras cantavam.

Aí aparecia a Luluzinha com uma boneca que não fazia nada: nem balançava a cabeça, nem emitia sons. Era uma boneca que não fazia nada.

Nada?!? Coisa incrível! Uma das garotas concluía com uma tirada: “Que mais vão inventar neste mundo, meu Deus? Uma boneca que não faz nada!…”


Falar de “família brasileira” é como falar de uma boneca que não faz nada.

Família: homem e mulher, filhos. Sem essa conversa de homem com homem ou mulher com mulher, ou mesmo outras armações ilimitadas.

Família molécula: com filhos, no PLURAL. Sem essa estrutura de átomo de hidrogênio: próton (às vezes sem nêutron, outras com dois ou três) e um único elétron.

Já foram liberados o divórcio e o concubinato. Houve pareceres favoráveis à adoção de crianças por pessoas homossexuais. A tendência parece ser o reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Daqui a pouco vão propor a poligamia e a poliandria. (Quem não gostaria de ter um harém? Só que deve ser um pouco caro…)

Todo este assunto é muito curioso. Bastante gente que se casa, não o quer fazer de papel passado; mas os homossexuais querem ter tudo assinado. É um sintoma do positivismo jurídico de que padecemos: os que veem nesses trâmites legais algo vazio, desprezam a formalidade; os que reconhecem neles uma oportunidade de afirmação social, defendem a regulamentação com unhas e dentes.

Proponho relançar o projeto da família para o Brasil. Matrimônio monogâmico e INDISSOLÚVEL. Casar sem direito ao divórcio. Já pensou? Gostaria de ver como seria na hora H:

— Vamos nos casar? — diz o noivo para sua pomba.

— Que lindo! Claro que vamos! Mas sob que modelo? — indaga a pretendida.

— Aquele que nos der mais liberdade! Vai saber como será o futuro — contesta o pretendente.

— Mas o que é isso? Você não gosta de mim, então? Eu só caso com você se for de verdade. Os outros casamentos do Código Civil são todos de mentirinha…

Acho que seria muito bom assim. Afinal, por que todas as formas liberais devem ser reconhecidas pela moda, mas o modelo tradicional não pode ser nem mencionado?

O Brasil precisa de projetos nacionais. Um deles, na minha opinião, é o projeto de família. Infelizmente, o único projeto neste campo tem sido: Cada um faça o que quiser: para isso, o Executivo distribui preservativos, o Legislativo legaliza as últimas invenções e o Supremo interpreta do seu jeito e alarga as concessões, se o Legislativo não tiver liberado.

PROJETO FAMÍLIA EM CINCO TÓPICOS:

1. Saber explicar porque casar é diferente de morar junto. A festa de casamento e o sim irrevogável significam: casei para te amar. É importante resgatar o sentido disto, pois é uma questão de linguagem. Quem desconhece o idioma do amor será incapaz de entender.

2. Recuperar três valores do casamento: a firmeza do vínculo conjugal, o rechaço social das aventuras amorosas e a superação da mentalidade antinatalista. Esses valores são atualmente combatidos e estão na origem do desprestígio da instituição matrimonial. Para que casar se as ações da Private valem mais?

3. Distinguir amor oblativo de prazer a dois, reconhecendo a primazia do agape sobre o eros. Amor é doação, sacrifício, entrega. O casamento não depende só da “performance”, como se houvesse um bando de jurados dando nota para o desempenho ao lado do leito conjugal.

4. Conhecer as pessoas ao invés de experimentá-las. Não somos cavalos, computadores, carros ou bicicletas. Muitos namorados têm dificuldade para observar o comportamento do companheiro nos diversos âmbitos da vida, a fim de averiguar se é a pessoa adequada com quem se casar. Contudo, frequentemente optam por relacionamentos íntimos — considerados uma experiência necessária — cheios de obsessão, angústia, insegurança, receios, temores e suspeitas, envenenando a vida em comum.

5. Encarar os filhos como um dom. É preciso reaprender a ganhar presentes. E ainda mais este, que é tão grande.

Minha ideia não é indispor ou contrapor. Minha ideia é PROPOR. Topa o projeto quem quiser. Não quer? Fique à vontade, mas você não sabe o quê e o quanto está perdendo.

Se essa família ainda existe, eu não sei. Eu sei é o que eu quero para mim e para os que me são caros.

Uma boneca que não faz nada? O que mais vão inventar neste mundo, meu Deus?…

Alguma outra sugestão para este projeto?
Você já pensou neste projeto para a sua vida?
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