28 de abr de 2010

A mais básica paixão

Esta postagem é a segunda de um estudo mais completo.

Tipos de amor

O amor é o princípio de todo o dinamismo passional, sem o qual não há outra paixão. Por isso, a piedade é o remédio para toda doença do coração.

Embora sendo o ponto de arranque de toda a dinâmica afetiva, no homem o amor se entende como movimento da vontade, causado pelo bem apetecível. Ainda que a vontade se mova a partir do conhecimento do que é desejável, a perfeição do amor não exige que se conheça o bem perfeitamente.

O amor racional chama-se propriamente dileção (“eleger entre dois”). De qualquer jeito, o ato de dileção também redunda na atração afetiva pelo bem conhecido.

Amar é querer o bem para alguém. Amor de concupiscência é amor do bem que se quer para o outro ou para si. Amor de amizade é o amor que se tem pelo outro em si mesmo. Aquele é relativo; esse, absoluto.

O teólogo sueco luterano Anders Nygren (1890-1978) consagrou a distinção entre eros e agape, reservando este último para o verdadeiro amor cristão. A distinção foi acolhida por Bento XVI com ressalvas. Com efeito, o Papa ensinou em sua primeira Encíclica que tanto eros quanto agape são aspectos do mesmo amor divino.

Efeitos do amor

Os efeitos do amor são: manter-se na presença de quem se ama, buscar o relacionamento e a tender à união.

A primeira união afetiva é a busca da presença como conveniente e pertencente a si. A segunda união é o próprio amor enquanto vínculo. A terceira união é a reciprocidade, só possível no amor de amizade.

O objeto do amor está presente no amante enquanto mora na sua inteligência e na sua memória. Igualmente está presente enquanto o amante se deleita em sua presença ou o deseja na ausência.

O amante também está presente no objeto do seu amor quando o possui perfeitamente ou assume como próprios tanto seus males quanto seus bens.
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