18 de jan de 2012

Leopoldina é que era mulher de verdade

A leitura das cartas da Imperatriz Leopoldina me fez saber de forma mais significativa que os príncipes eram preparados para o Estado mediante uma educação tão esmerada que faz parecer nossas melhores escolas uma brincadeira de criança.

Com efeito, a futura Imperatriz brasileira, da casa dos Habsburgos, aprendeu enquanto jovem as lides do campo e da pecuária, foi treinada para vencer a timidez através da oratória e da dramaturgia, capacitou-se para a diplomacia mediante o estudo de diversas línguas, compreendeu a importância das artes e das ciências pelo contato direto com seus métodos, etc.

Ao casar-se com Dom Pedro I, Leopoldina ressentiu-se da inferioridade da educação na corte portuguesa, agravada pela precariedade que supôs a vinda ao Brasil. Além disso, penou com a artificialidade que os lusos revestiam inclusive a piedade e a liturgia.

O fim da monarquia trouxe consigo o rechaço pela pompa. Mas não parou na repulsa à ostentação: seguiu-se uma gradativa diminuição do requinte, do esmero, da delicadeza, do tom.

Sem dúvida, a simploriedade, a pressa e a informalidade tornaram-se as indesejáveis companheiras das liberdades modernas.
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