11 de mar de 2010

Best-sellers versus best-readers

Literatura popular versus acadêmica
Harry Thurston Park, editor da revista The Bookman, publicou em 1895 a primeira lista dos livros mais vendidos em cidades americanas.

A difusão dessas listas contribuiu para a implantação da cultura de massa: coletividade anônima com interesses coincidentes.

Paralelamente, Ulisses, de James Joyce, tornou-se um emblema entre as obras experimentais que romperam os tradicionais cânones literários no início do século XX. Posteriormente, nos anos 60, a ruptura estilística se renovou, então diante do realismo literário de cunho social e político marxista.

Como resultado, a literatura se viu dividida em duas concepções: a dos autores com prestígio intelectual por um lado, e a popular, por outro.

O que é um best-seller
Nesse contexto, o best-seller reivindica ser literatura perene, o regresso à diversão que nunca deveria ter desaparecido. Contudo, no mercado literário abundam as surpresas. Ainda que a chance de sucesso editorial sejam maiores quando se abdicam de intenções estéticas com cheiro de academia, não é todo “livro-massa” que consegue emplacar.

O que é um best-seller, portanto? O que o define são as expectativas dos leitores. Ecletismo, estilo inspirado em soluções consagradas, vulgarização da arte.

Seus ingredientes são: aventura, lições de vida, ambientação gótica, irrupção do fantástico, exagero nas técnicas policiais, conotação histórica, até um pouco de erotismo.

David Viñas Piquer (autor de El enigma del Best-seller: fenómenos extraños en el campo literario, Ariel, Barcelona, 2009) qualifica os best-sellers de “anabolizantes didáticos”. Ou seja, incorporam no relato a informação especializada sobre temas que não se costuma conhecer em profundidade.

Conclusões
Para o leitor de best-sellers, afogado diante da avalanche de títulos que inunda as livrarias, a lista de livros mais vendidos é uma bússula para situar-se num mundo que lhe escapa.

Para o mercado, que não pode esperar long-sellers, o autor é uma engrenagem entre outras na máquina editorial, uma marca comercial.

Para o autor, é fundamental escolher bem o lugar de venda e conseguir o efeito de arraste, isto é, acertar na primeira obra para repetir o sucesso depois.


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— Que clássicos você leu no último ano?
Posso lhe sugerir uma coisa? Que tal ler A canção dos nibelungos?
Já escrevi a respeito desse livro, veja aqui.
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