1 de fev de 2010

A menina que lutava boxe e os garotos frouxos

Minha musa inspiradora me deu mais um toque. Dessa vez, um soco de boxe.

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Na sexta passada, após quatro semanas de tentativas, consegui almoçar com certa pessoa. Naturalmente, ela chegou uma hora e meia atrasada. Tive de trocar vários telefonemas com ela, pois ela esquecera o dinheiro, não sabia se voltava em casa para pegar, mas aí tinha o problema do estacionamento, pois o carro já estava lá, etc.

Estávamos azuis de fome quando chegamos ao Spoleto da rua do Rosário. Entrementes, eu tinha batido perna por livrarias e adjacências.

Tudo parecia correr bem. Após o almoço, fomos realizar um pagamento. Deferência pela doce companhia. Então os problemas recomeçaram: “não aceitamos cheque de empresa”, disse a moça do guichê.

Fomos ao banco no último dia útil do mês (outra deferência pela aflita companhia). Fila homérica. — “Você está sério. Está pensando em quê?” (péssima pergunta a se fazer quando nós homens entramos na caixa do nada).

A bem da verdade, eu não estava na caixa do nada. Estava pensando em como ia recuperar as horas perdidas em tantas transações.

Nada sendo resolvido no banco, o pagamento ficou para hoje. Mas aí já não é comigo. Mais tarde vou ligar para perguntar se deu certo. Contudo, os problemas da sexta passada ainda não terminaram.

Um colega, com quem a azarada pessoa em questão ia fazer um trabalho naquela tarde, telefonou dizendo que estava de cama e não poderia mais aparecer. — “OK, vamos a (mais) uma livraria e de lá tomamos um sorvete, já que está um calor do peru e com isso nossa sexta laboral acabou”, tive de dizer.

Depois da Livraria da Travessa, que só serviu para sentar numa poltrona, fomos ao McDonald's. Casquinha para mim, milk shake para ela. Azar? Talvez, pois o milk shake caiu no chão. Não fiz menção de conter-lhe o choro. Apenas me levantei, comprei outro e, calmamente, enquanto sugava minha casquinha, fiz certo comentário depreciativo sobre unhas cor de laranja meio vermelhão.

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Lições? Estamos numa geração frágil, frouxa. Qualquer doença põe de cama, qualquer escorregão estraga tudo, qualquer coisa é motivo para atrasos, qualquer mudança de procedimento causa esquecimento. Até pais responsáveis correm o risco de largar seus filhos ardendo nos carros!

Paradoxo? Mulheres jogam bola nas quadras e lutam boxe nas academias. Faz-me lembrar de Brunhild, da Canção dos Nibelungos. A Bromilda, rainha da Islândia, era a paixão de Gunther, rei dos burgúndios. O galho é que a docinho de coco tinha uma queda por esportes bascos e só estava disposta a se entregar a quem demonstrasse uma truculência à altura da sua.

Depois de algumas malandragens e falcatruas de Gunther, eles se casam, mas as núpcias não foram nada fáceis para o noivo apaixonado. Não vou contar o que aconteceu (leia o livro, que vale a pena mesmo!); digo apenas que toda aquela fortaleza da donzela só ruiu depois da árdua consumação do matrimônio.

Conclusão? Existe uma curiosa relação entre sabedoria, fortaleza e castidade. Já o dava a entender Catarina de Alexandria.

E você? Anda bobo? Anda fraco? Anda murcho?
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