15 de mar de 2010

A Globo é o 6ig 6rother, 6rasil

Só o Faustão chama a CGP de Projac

Sexta passada, estive na Central Globo de Produção, em Jacarepaguá. Coisa impressionante: logística, profissionalismo, produção, gestão, consumo, inovação, criatividade. É de se tirar o chapéu. Apenas dois dados, entre tantos: a Globo produz 10 vezes mais horas de entretenimento do que Hollywood e está presente em uns 170 países.

Ao fim da apresentação inicial, durante um coffee-break, antes de sairmos para a cidade cenográfica de carrinho elétrico, perguntei ao relações-públicas sobre a ética. Afinal, se tamanho poder estiver posto nas mãos de gente mal intencionada, que mal não se pode fazer! É como a energia atômica: pode ser utilizada para sustentar uma cidade ou para criar uma bomba.

A resposta não me surpreendeu. Mas também me entristeceu.

A voz do povo é a voz de Deus

Segundo ele, a Globo tem duas referências para aferir a conveniência da sua produção artística: o retorno da audiência e o Ministério Público.

De que vale a opinião popular comprada a pão e circo? Mas até aí, já era de se esperar uma resposta assim. Tem seu aspecto de justiça, visto ser uma deferência pela opinião do consumidor final.

A referência ao MP é que foi curiosa. Meu interlocutor afirmou que a Globo é muito mais policiada do que as outras emissoras e, por isso, “não consegue ser apelativa” (não?!?).

Para exemplificar, disse que a personagem Rafaela, encenada pela atriz mirim Klara Castanho na novela Viver a Vida, era para ser muito pior. Argumento que, para mim, é como cavar a própria cova. A opinião da Globo é que o ator sabe distinguir perfeitamente sua vida privada da encenada, e que o MP teria uma equivocada preocupação com o futuro desenvolvimento da criança.

Simplismo ridículo. Um artista se constrói, mesmo possuindo dotes inatos. Um ator mirim não apenas constrói sua performance, como também seu caráter. Basta assistir a Klara Castanho dando entrevista para ficar preocupado.

Quando a ética se reduz à ecologia

A frase lapidar foi: “nem a Globo nem o MP têm a verdade”. Ora, se é assim, tiro duas conclusões:

1. Não existe verdade e o Brasil vive sob a lei do mais forte. Deus nos livre e guarde.

2. Nem a Globo nem o MP estão buscando a verdade, mas seus interesses. Nesse caso, prefiro os interesses do MP.

Para não acabar tão mal, foi-nos explicado o que Globo “faz pela ética”: atores mirins só entram acompanhados dos pais, o entorno foi reflorestado e internamente se utilizam carros elétricos. Espero que isso lhe compense o fato de ser a maior consumidora de madeira do país.

Taca fogo no edredon

Se a Globo um dia resolvesse levar um santo ao BBB, o que aconteceria?

Para começar, ele faria uma exigência: teria de sair da casa habitualmente para assistir à Missa. Depois, ele converteria os participantes mais sensíveis. Em seguida, ele seria contestado, perseguido e maltratado pelos participantes que vestissem a carapuça e se sentissem esbofeteados com luva de pelica. Finalmente, ele morreria num estranho acidente na piscina, causando comoção nacional.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...