19 de mar de 2010

Arte da guerra para quem não quer briga

Devido a alguma estranha razão, que ainda tento desvendar, um não pequeno número de mulheres costuma queixar-se dos seus relacionamentos. Mesmo do posto elevado em que me situo nessa guerra, acredito ser causa perdida tentar entender os embates travados pelo coração no campo de batalha do romantismo.

Tantas questões intrincadas, terríveis e desagradáveis quantas são suas protagonistas desafortunadas!… Contudo, o heterogêneo rol de temperamentos, caracteres, idades e histórias de vida, tem por denominador, apesar da multiplicidade de cenários e amores, o mesmíssimo discurso da decepção: “por que sempre escolho a pessoa errada?”

Sem dúvida existem malandros, golpistas, vaidosos e aventureiros; mas somos exceção [não se esqueça que sou fake]. Mas o que ocorre no dia-a-dia dos normais bem-educados e bem-intencionados emancipados é uma sucessão de enganos, convencionalismos, falhas de comunicação e incapacidade de compreensão.

Estamos mais vizinhos, extrovertidos e conectados, porém mais distantes, tímidos e solitários. Circunstância propícia para deformar a percepção da vida real, estimular perigosas especulações, encorajar falsas idealizações, inspirar juízos temerários, elevar as expectativas a níveis fantásticos e embrulhar num pacote de preconceitos toda a malha das relações humanas.

A par das tradicionais armas de se-dução (literalmente “conduzir à separação”) — máscara (boia), aparente firmeza (chumbo), lábia (isca), brandura esperta (sabor) e prudente paciência (cansar o peixe) —, seria útil às mulheres aprenderem uma atitude de fundo: aceitar o outro pelo que ele é e reconhecer seus esforços de melhora, os quais, afinal, são envidados por causa delas.
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