12 de jun de 2013

Três coisas de que o homem tem medo

O domínio da mulher é inimigo da liberdade

A típica fantasia romântica masculina consiste no autossacrifício sentimental. Diante de um ideal que obriga, o varão abre mão de seu amor.

Ou seja, esse romantismo peculiar consiste em renunciar ao amor por uma causa nobre. É como rasgar o coração para salvar a cabeça. Exemplos são dados nos longa‑metragens Casablanca, Os Brutos Também Amam ou Homem‑aranha 2.

Mas a nobreza da autoimolação contém algo de malandragem aventureira. Afinal, porque os descobridores ficavam tanto tempo longe de casa, senão porque temiam mais as suas esposas do que os riscos das expedições?

Desaparecer na fusão amorosa

John Milton soube bem retratar o caráter destrutivo da fusão:

Porém… seja o que for! hei de contigo
Sofrer a mesma sorte, a mesma pena:
Se me é dado sofrer contigo a morte,
A morte para mim é como a vida.
Dentro em meu coração sinto com força
A vívida atração da Natureza
Para meu próprio bem que em ti reside,
Para ti que esse bem me constituis:
Não pode separar-se a sorte de ambos,
Ambos possuímos nós uma só carne;
Se te perdesse a ti… era eu perder-me!
(…)
Mas no futuro eu vejo outros sucessos:
Não morte, porém vida em grau mais alto.
Novos prazeres, novas esperanças,
Claros os olhos, paladar tão grato…
Que tudo, quanto saboreara dantes,
Insípido ou amargo lhe pareça.
Adão, descansa na experiência minha:
Dos lindos frutos livremente come.
E esse medo da morte entrega aos ventos

(Paraíso Perdido, IX, 1260-70; 1302-1310)

Não ser perdoado

O que é mais desafiador conseguir de uma mulher, seu amor ou seu perdão? Dizem que a facilidade que as mulheres têm para amar é proporcional à dificuldade que elas têm de perdoar.

Com tal temperamental senhoria, qualquer homem treme.

Era assim que eu sonhava a mulher. Era assim:
Corpo de fascinar, alma de querubim;
Era assim: fronte altiva e gesto soberano,
Um porte de rainha a um tempo meigo e ufano,
Em olhos senhoris uma luz tão serena,
E grave como Juno, e bela como Helena!

(Machado de Assis, Crisálidas, Versos a Corina, I, 19-24)
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