8 de jun de 2011

Nossas palavras são facas

Fiz referência à arte de saber brincar com as palavras. Referência desatinada, pois com as palavras não se brinca. Palavras são fogo que queima e faca que corta. Em questão de horas deita-se a perder grandes possibilidades e essa tem sido uma triste experiência reiterada enfadonhamente.

Recalcitrar é sina humana. Talvez o animal que nos seja mais assemelhado é o burrinho. Sem dúvida, ao contrário do que diz o provérbio, nosso problema não é a reincidência, mas sim a teimosia. Temos a nosso favor que muitas vezes o sangue dos espinhos nas mãos da presenteada não sejam culpa nossa e muito menos da rosa. Afinal, faca não é só lâmina. Há uma forma imprudente de receber que estraga o presente e culpa o doador.

Mesmo assim, o remetente sofre o remorso de uma secreta culpa aninhada no cerne da imprevisão, da improvisação, da displicência. Com efeito, mesmo palavras róseas podem tampar os ouvidos e, de tanto falar, tornamo-nos surdos.
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