7 de jun de 2011

Opinião de um pilantrinha sobre o modernismo literário

Tenho um amigo mafioso que, com toda a franqueza, me falou cruamente das tentativas de imitação da desconstrução literária da “Semana de Arte Moderna” e seus sequazes posteriores:

— Não consigo nem ler isso direito. Quanto mais entender.

Mesmo eu, com minha veia polêmica, me surpreendi com ele. Considero não pouca coisa a capacidade de brincar com as palavras. Por outro lado, é real o risco por ele apontado de só brincar com elas, sem comunicar.

Esse risco é duplo. Em primeiro lugar, porque a poesia torna-se hermética e de difícil compreensão. Remete a experiências muito subjetivas e excessivamente elaboradas. Em segundo lugar, porque a poesia deixa de comunicar a experiência de forma direta, já que seus recursos estéticos são empregados mais para “gritar” do que para “dizer”.

Leitura de qualidade é a que ajuda a penetrar nas situações reais da vida. Esse é um critério útil para expor a saúde moral dos escritores. Penso que se lhes aplica, embora em menor medida, o que eu já afirmara acerca dos filósofos fanfarrões: nossos pensadores estão adoentados: moralmente mancos, presumem-se de sábios por serem bons retóricos.
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