22 de set de 2010

Os três porcões

Era uma vez, três: Fifer Pig, Fiddler Pig e Edmund Pig. Em português, Cícero, Heitor e Homero. Eles eram uns porcalhões. O primeiro não tomava banho, o outro não lavava as orelhas e o último vivia com o dedo na tomada. Como sua tomada era conforme as Normas Técnicas Brasileiras, Homero também recebia o apelido de Porco Prático. 

Cícero era colérico: construiu para si uma casa de palha, bem mequetrefe. Tomava suas refeições em mesa forrada com toalha de plástico. Para a bebida, usava copo de requeijão.

Heitor era luxurioso: edificou uma casa de madeira, cheia de lambris, toda bonitona. Ele se achava o parafuso e dava em cima de todas as porcas.

Prático era avarento: levantou uma casa de tijolos, em estilo inglês, que era, na verdade, um bunker. Ali guardava suas alfarrobas sob sete chaves.

Um dia, pintou na área o Lobo Mau. Ele estava resfriado, espirrando fora do lenço. Vendo a casa de palha do Cícero, resolveu arriscar:

— Vou soprar para derrubar sua casa e comer você!

Mas Cícero cantava:

— Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau?

Enchendo o peito, mediante um grande assopro o Lobo Mau deitou por terra a construção!

Cícero, contudo, teve tempo de fugir para a casa de madeira do Heitor. O Lobo, animado com o sucesso anterior, resolveu também soprar sobre essa.

— Vou soprar para derrubar sua casa e comer vocês!

Mas Cícero e Heitor cantavam:

— Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau?

Enchendo o peito, mediante um grande assopro o Lobo Mau deitou por terra a construção!

Cícero e Heitor, contudo, tiveram tempo de fugir para a casa de tijolos do Porco Prático. O Lobo, animado com os sucessos anteriores, resolveu também soprar sobre essa.

— Vou soprar para derrubar sua casa e comer vocês!

Mas Cícero, Heitor e Prático cantavam:

— Quem tem medo do Lobo Mau, Lobo Mau, Lobo Mau?

Enchendo o peito, mediante um grande assopro o Lobo Mau deitou por terra a construção e os matou a todos soterrados!

*****

Por isso o leão vem da selva atacá-los, o lobo da estepe acaba com eles, de tocaia, a pantera vigia as cidades:
quem quer que delas saia, é estraçalhado; pois multiplicaram as transgressões, reforçaram as rebeldias.
Jr 5,6

Eis da subida quase ao mesmo instante
Assoma ágil e rápida pantera
Tendo a pele por malhas cambiante.

(…)
De um leão de repente surge o aspecto,
Que ao meu peito o pavor de novo lança.
(…)
Eis surge loba, que de magra espanta;
De ambições todas parecia cheia;
Foi causa a muitos de miséria tanta!
Dante Alighieri, Divina Comédia, Inferno, I, 31-33, 44, 45, 49-51
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