3 de jan de 2010

O calor que derrete a fortaleza

“A fortaleza é o amor do cristão que tudo suporta pelo objeto dos seus amores” (Santo Agostinho, De mer. Eccl. Cath., I, 15). Trata-se a fortaleza de uma virtude cardeal (de “cardo”, eixo), em torno da qual giram muitas outras.

Dentre estas, destaca-se a rijeza, que nos permite enfrentar a parcela de esforço físico que supõe a prática do bem. Trata-se de uma atitude de firmeza, de procurar fazer o que se deve fazer (no trabalho, no relacionamento com os demais, no cumprimento dos nossos deveres sociais, familiares, religiosos, etc.).

Quanta coisa boa podemos deixar de fazer por pura falta de rijeza… Por isso, aponto dez ralos por onde costuma escoar nosso apetite irascível:

1- Não fazer corpo mole! Não encostar-nos nas paredes, não andar nem subir escadas devagar demais, dispensar o elevador, espantar a lentidão. Tem gente que em pé está sentado, na cadeira está deitado e na cama derramou para os dois lados!

2- Vencer o sono! Quantas vezes o sono é só falta de rijeza… Somos moles! É que não tomamos a pulso, com valentia, a decisão de pôr os meios: ficar de pé, fazer anotações enquanto ouve uma aula, lavar a cara.

3- Pontualidade! Quantas faltas de pontualidade são falta de rijeza! Não nos exigimos: não apertamos o passo para chegar na hora ou fazer as coisas (a cama, especialmente).

4- Cumprir o dever de cada momento! Estragos no estudo e para o prestígio profissional. Às vezes, será preciso dormir mais tarde, não ter férias, ficar sem almoçar.

5- Fora o complexo de vítima! Não reclamar: “Estou cansado… Não consigo emprego… Tenho trabalho demais... Não aguento... Tô morto! Ó vida! Ó azar!… Vivo pagando e morro devendo… Quanto me dano e quão pouco me queixo…” Ser duro consigo mesmo: “A boneca está com sono?… A boneca está com frio?…” Vamos tolerando a moleza, fazemos pouco caso. Ficamos com pena de nós mesmo.

6- Aceitar a dor! Este é o segredo…

7- Ter medo das coisas certas! Ter medo da preguiça, da inoperância, do endurecimento do coração, da falta de arrependimento, da insinceridade, dos apegos, dos vícios.

8- Seguir modelos elevados! Buscar as coisas que valham a pena e entusiasmem. Ser congruentes assumindo posturas e aceitando critérios, vivendo o que diz e o que pensa sem concessões (quem não vive como pensa, acaba pensando como vive).

9- Mortificar‑se! Nenhuma virtude arraiga sem o esforço por contrariar o costume que lhe é contrário. Fazemos jejum de vez em quando? Tomamos banho frio? Renunciamos ao caderno de esportes alguma vez? Sabemos comer algo menos requintado? Damos de esmola o dinheiro que poderíamos termos gasto numa bebida ou num cinema? Temos auto‑controle ao usar as mídias? Temos modos na relação com os outros?

10- Ser um inconformado! Um homem forte e idealista conquista em primeiro lugar seu próprio mundo interior.
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