19 de jan de 2010

New Age ou Next Age?

A New Age não é um movimento no sentido em que normalmente se emprega o termo, nem culto ou seita. Não é um movimento individual uniforme, antes um entramado amplo de seguidores cuja característica consiste em pensar globalmente e atuar localmente. Os que fazem parte não se conhecem necessariamente uns aos outros e raramente se reúnem, se é que chegam a fazê-lo. Seria um «ambiente» (milieu) ou um «culto de audiência» (audience cult).

É meramente um modo novo de praticar a gnose, isto é, a “postura do espírito que, em nome de um profundo conhecimento de Deus, acaba por tergiversar sua Palavra substituindo-a por palavras que são apenas humanas” (João Paulo II, Cruzando o limiar da esperança).

Nos começos dos anos 90, nos EUA, começou a crise da New Age, donde se quis falar de uma «próxima» era. Contudo, a vitalidade das suas manifestações parece desmentir tal crise. O idealismo dos anos 60 e 70 ainda sobrevive em alguns setores. Mas agora já não são os a adolescentes que estão implicados principalmente. Os vínculos com a ideologia política de esquerda se desvaneceram e as drogas psicodélicas não têm já a importância de então. Ocorreu tanta coisa que nada mais é revolucionário. As tendências “espirituais” e “místicas”, que antes se limitavam à contracultura, hoje formam parte da cultura dominante. A cultura ocidental está imbuída de uma consciência política e ecológica generalizada e essas mudanças exerceram enorme impacto no estilo de vida das pessoas.

O que a New Age apresenta de novo é a crença no progresso inevitável dos ciclos naturais e o sincretismo de elementos esotéricos e seculares. Isso gera a expectativa de uma mudança de paradigma (paradigm shift), pois o tempo estaria maduro para uma mudança fundamental dos indivíduos, da sociedade e do mundo: da física newtoniana à quântica, do racionalismo ao “emocionalismo”, do patriarcalismo à celebração da feminilidade.

Thomas Kuhn, historiador americano da ciência, popularizou o paradigm shift. Paradigma seria «a constelação inteira de crenças, valores, técnicas, etc., compartilhados pelos membros de uma comunidade». Quando se produz a substituição de um paradigma por outro, se trata de uma transformação em bloco da perspectiva mais que de um desenvolvimento gradual: uma revolução.

Kuhn pôs de relevo que os paradigmas rivais são incomensuráveis e não podem coexistir. Por isso, o paradigm shift no âmbito da religião e da espiritualidade não é uma simples maneira nova de formular as crenças tradicionais; é uma mudança radical de cosmovisão, que contesta não só o conteúdo, mas também a interpretação fundamental da visão anterior.

Talvez o exemplo mais claro disto seja a reelaboração da vida e o significado de Jesus Cristo.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...