14 de jan de 2010

BBB10, o Haiti e o PNDH

Diante das últimas notícias, fui forçado a abandonar minha pauta pessoal e autista para este blog e externar minha percepção a respeito das últimas três novidades.


Tudo começou quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no último dia 21 de dezembro, o Programa Nacional de Direitos Humanos.


Na ocasião e ainda agora, recebi um monte de mensagens de amigos sugerindo que façamos pressão para o governo desistir de impor sua ideologia relativa à bioética.


Confesso que sou reativo para algumas coisas, mas para outras não. Esse assunto enquadra-se para mim no segundo grupo, pois tenho tido menos confiança na nossa capacidade de negociação com os que estão no poder: falam muito de debate, mas fazem o que lhes interessa.


O Programa Nacional de Direitos Humanos é uma artimanha: propõe revisar tudo para que, mesmo havendo chiadeira de todos os lados, algo passe. Naturalmente, quem mais grita são as Forças Armadas e a Imprensa. Mas quem clamará pela família, pelo nascituro?


Direitos humanos: que significa a expressão hoje? Dependendo da antropologia subentendida, direitos diferentes para homens diferentes, em geral direito dos mais fortes, que pontificam a próprio favor, sobre os mais fracos.


Na cultura relativista em que vivemos, uma Comissão de Verdade (um grupo supostamente suprapartidário) faria uma devassa do nosso verdadeiro passado? Não seria mais razoável negociar com os militares a abertura de arquivos em vez de colocar o tema da anistia nesse saco de gatos? 


Falando em Direitos humanos, recebemos a triste notícia de que Zilda Arns morreu tragicamente no Haiti. Uma mulher que trabalhou pela dignidade humana, foi morta na catástrofe que varreu um país que já estava abandonado ao que há de mais vil no homem.


Em paralelo, BBB. É claro que não há um problema intrínseco, especialmente grave, em ficar assistindo (ou mesmo participando) de um programa do estilo do Big Brother. Mas eu me pergunto: isso faz sentido?


Qual é o modelo de homem, qual é a antropologia proposta nesse exibicionismo que fomenta o voyeurismo? Quais serão os direitos desse homem sem intimidade, sem interioridade? A fama?


Conquista da fama para uns, construção da verdade para outros. O que será mais artificial?


Afinal, o que é o homem?


Ruínas. Miséria. Orfandade. Violência. Corrupção. Ódio.


Amor. Generosidade. Acolhimento. Compreensão. Serviço. Caridade.


Os ortopráticos se fazem teóricos. Os levianos, ídolos. Os que amam, santos.


Afinal: o que deve ser o homem? Um retórico, um ícone, ou um santo?
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