20 de jul de 2010

Santos incômodos

Politicamente incorreto

Perdi as estribeiras, furei as algibeiras, calei as carpideiras. Sinceramente? Estou pouco me lixando. Adoro ser politicamente incorreto.

Farei aqui uma lista de Santos. Dos incômodos Santos que podem causar um santo incômodo para essa sociedadezinha hipócrita que se diz liberal e amoral, mas que aponta o dedo em riste na cara dos convictos — porque o único crime vigente é não ser relativista.

Nuvem de testemunhas

Carlos Lwanga e companheiros mártires (†1886): foram queimados vivos, após horríveis torturas, porque se negaram a praticar pederastia a mando do torpe rei de Uganda. Aparecem num interessante filme/livro de Frank Cottrell Boyce, dirigido por Danny Boyle, sobre um assalto a banco, chamado Caiu do Céu (título original: Millions).

Acho que não é preciso dizer que intenções lhe recomendo.

Bem-aventurados protomártires brasileiros André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes, e Mateus Moreira e outros 27 leigos, seus companheiros (†1645): cruelmente assassinados pelos calvinistas, soldados holandeses e indígenas coligados no Rio Grande do Norte, que lhes arrancaram o coração pelas costas durante a celebração da Santa Missa.

Recomendo-lhes uma maior coerência religiosa dos brasileiros, que vá de braços dados com o autêntico diálogo ecumênico.

São Pedro de Alcântara (†1562): padroeiro do Império Brasileiro, foi esquecido como patrono da nação. A catedral de Petrópolis é a ele dedicada, assim como um altar lateral da velha Capela Real, atual igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro da Capital fluminense. O místico castelhano era tão penitente que, ao andar, se podia ouvir o tilintar dos seus cilícios. Tendo-se proposto por anos não olhar o rosto de nenhuma mulher, já tanto lhe faziam as divas e beldades. Comia um naco de pão a cada três dias e dormia somente uma hora por noite (mesmo assim, sentado, com a cabeça apoiada numa tora de madeira).

Recomendo a ele a reconstrução da alma nacional: menos ócio e mulata pelada, mais trabalho e justiça social. — Ah! E que seja incluído de volta no nosso calendário litúrgico!

Bem-aventurado José de Anchieta, Apóstolo do Brasil (†1579): fundou a cidade de São Paulo, fez a primeira gramática em língua indígena, converteu inúmeros índios.

Recomendo-lhe os povos indígenas, a fim de que se vejam livres dos estrangeiros, das ONGs e ideologias. Também lhe peço pelos professores de história, a fim de que se libertem do ranço marxista. — E espero que os brasileiros se esforcem mais por sua canonização.

Bem-aventurado Pedro Jorge Frassati (†1925): alpinista, fumante, filho de um ateu, fundador do jornal italiano maçon e anticatólico La Stampa. Desprezado pela família porque era de Missa diária, surpreendeu os pais e a high society de Turim quando, por ocasião da morte prematura, seu féretro foi seguido por uma multidão de pobres que tinham sido beneficiados por sua caridade.

Recomendo a ele essa rapazeada sarada que fuma maconha mas é contra o cigarro, que faz esporte mas não reza, que gasta dinheiro nas noitadas mas não dá esmola, que comunga mas não se confessa.

São Thomas More (†1535): humanista, estadista, autor de Utopia, chanceler do reino inglês sob Henrique VIII. O monarca queria que seu casamento fosse declarado nulo por Roma, a fim de se casar com a amante. Ao se autoproclamar cabeça da Igreja na Inglaterra, Henrique VIII foi arrancando dos ombros alheios outras ilustres cabeças, entre elas a da própria amante, feita rainha, Ana Bolena. Thomas More tinha sido o primeiro decapitado, pois se negara a endossar o cisma perpetrado pelo reizete.

Recomendo-lhe o fim do cisma anglicano, assim como o amor à verdade e a probidade administrativa dos nossos governantes.

Uma lista enorme

O elenco poderia ser ampliado indefinidamente. Na verdade, qualquer Santo poderia ser citado, pois todos foram pedra de tropeço para seus contemporâneos, na medida em que estavam à frente do seu tempo.

Suas qualidades, inatas e adquiridas, são parecidas e dessemelhantes: todos se configuraram a Cristo sem, contudo, se constituírem cópias em série. Antes, suas peculiaridades foram realçadas, produzindo personalidades de grande envergadura, simpáticas e amáveis, cujos traços postos em relevo são estímulo para os imitarmos.

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Deixe eu lhe perguntar: quais são seus modelos preferidos?
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