27 de nov de 2009

Tchekhov e a ficção da indiferença

Gostei de ler O Assassinato e outras histórias.


Anton Tchekhov (1860-1904) perdeu seu teor humorístico em sua última fase, entre 1894 e 1900. Nesse período, escreveu menos, porém produziu contos mais longos.

O ambiente de então, saturado de ideologias, cujos debates só faziam sentido em formas extremadas, fez do escritor um campeão dos credos políticos e religiosos.

Tchekhov escolhera a indiferença como método crítico. Por exemplo: a religião lhe era moralmente indiferente; não falava de Deus, mas só do que disseram dele.

Enquanto russo, sua técnica, típica de escritor livre, não era mero recurso literário. Seu estilo vem plasmado pela peculiar visão das coisas: corta o início e o fim dos relatos para o acaso interferir, o secundário tomar a frente e a história ficar suspensa.

Na coordenada urbana, retrata a classe média, o interior, os sentimentos e a profissão, evidenciando a escassez com seus finais reticentes.

Na coordenada rural, explora o darwinismo social, a ganância, a pobreza, criando finais sucessivos cujo excesso neutraliza a solução.

Já leu alguma obra de Tchekhov? O que achou?
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