3 de nov de 2009

Quatro ideias e três considerações sobre a fidelidade

Entendo que a fidelidade supõe:

1) Reconhecimento de que existe um
projeto que deve configurar a própria vida.

2) Acolhida desse mesmo projeto.
3) Coerência pessoal (não faz sentido ser fiel “só por fora, quando estão vendo”).
4) Constância (coerência no tempo, que vence a prova da duração).

Acrescento algumas considerações…

Considerações matemáticas
  • A integral de uma vida infiel é menor do que a prevista; a infidelidade é solução não-ótima.
  • Binômio da felicidade: fidelidade e entrega: esta comprova aquela e esta não teria sentido sem a outra.
Considerações da experiência
  • “Nunca quis me separar da minha mulher; mas matá-la, muitas vezes!”
  • Adão não tinha sogra nem cunhado, mas sogra e cunhado também são parentes.
Considerações rodrigueanas (Entrevista a Otto Lara Resende, Revista “O comício”, 15/05/1952)

— Vamos falar do assunto que esteja na moda: Divórcio — propõe Otto Lara Resende.

— Sou contra — declara Nelson Rodrigues; e exclama sumariamente: — Não se abandona nem uma namorada, quanto mais uma esposa!

— Você acha que o problema do divórcio resolve…

— Não resolve nada. Não resolve o problema da fidelidade também, não. Porque a infidelidade não resulta da falta de amor. Na maioria absoluta dos casos, trata-se de uma aventura acidental e desnecessária que a lei do divórcio não vai evitar. A amante tem todos os defeitos da esposa e nenhuma de suas qualidades. O divórcio virá, ao contrário, estimular a infidelidade. Uma esposa infiel, por exemplo, em vez de trair apenas o marido, com o divórcio trairá um segundo, um terceiro e um quarto…

— Os casos de incompatibilidade…

— Geralmente a mulher gosta mais do marido do que do amante. Porque ela também só tem um marido verdadeiro. Toda vida humana se baseia no sacrifício e na renúncia. Pequenos e grandes sacrifícios. Isso é da contingência da vida, é próprio do destino terreno da criatura. Pode ser desagradável, mas é verdade. O agradável, de resto, não é o ideal de ninguém. Quando somos infelizes no casamento, não podemos, por isso, pedir ao estado que nos reconheça o direito de casar de novo. A mulher é uma só, como é um só pai. Se o nosso pai é defeituoso, não adianta requerer ao estado um segundo. E se acaso o estado reconhece esse tolo direito, o que se sucede é que fingiremos iludir-nos, com uma mulher falsa, com um falso pai…
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