4 de nov de 2009

Entorpecentes sentimentais

Características negativas dos sentimentos
Os sentimentos não são consistentes, pois nem sempre correspondem à realidade.
Os sentimentos não são permanentes: mudam, passam, variam.
Logo, os sentimentos não são transcendentes: carecem de relevância moral.


Depois de fazer algo errado em que encontramos algum prazer, o sentimentalismo gera na alma uma melancolia torpe, que a leva a buscar novos prazeres cada vez mais fortes, para evitar esses momentos de tristeza.


Desse jeito, os sentimentos funcionam na alma como uma droga. Pior até do que as drogas, pois são geradas e alimentadas dentro de si mesmo. Esta usina de entorpecentes psíquicos termina numa superprodução a tempo integral que destrói por dentro todos os recursos acumulados.


Percepção distorcida
O sentimentalismo são óculos coloridos focalizados nos sentimentos que deformam a percepção de como são, como sou, como é o mundo.


E hoje não se pergunta mais como se fez algo, mas como se sentiu ao fazê lo. É a apologia do sentimentalismo.


Na vida de uma pessoa escravizada pelo sentimentalismo nascem:


a) Compensações (se dá errado, procura sucedâneo para esquecer as mágoas).
b) Impulsividade (não acaba nada porque se lança sem medir a distância interior).
c) Seletividade (fuga da dor e busca do prazer, calculando o que faz).
d) Impressionabilidade (o eco interior das imagens gera no “cinema da imaginação” um making-off do futuro e um replay do passado).
e) Oscilações (conforme o confronto dos mundos interior e exterior, vem a euforia ou a fossa, pois o choque da imaginação megalomaníaca com a dura realidade é decepcionante).


Estourar a bolha de proteção
Na infância, os sentimentos eram uma bolha de proteção: “dinheiro nasce em árvore, sou amado de todos, meu pai é o super homem”.


Já na adolescência, essa bolha estoura: “o mundo é podre, meu pai é o maior imbecil do planeta, que me legou um mundo imbecil”.


Infelizmente, apesar da idade, se não há maturidade, podemos nos tornar “chatos de gangorra”: uma hora o mundo é lindo, outra é podre, numa alternância entre a infância e a adolescência.


Dar nova pauta aos sentimentos
Uma música desafinada é horrível. Como no capítulo Ainulindalë, do livro Silmarillion, de nada adianta tocar fora da pauta. Temos de tocar na mesma sintonia e a sintonia tem de ser com o extrapessoal.


Examinemos se não haverá planos, circunstâncias, preferências pessoais, caprichos, que nos tiram a sintonia com Deus e com as necessidades das pessoas.


É preciso racionalizar os sentimentos. O livro Os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus tem um capítulo acerca das dificuldades de relacionamento muito interessante nesse sentido. Ele sugere pôr por escrito, em sete parágrafos, as razões dos sentimentos desencontrados. Isso pode ajudar em muitos outros âmbitos da vida:


a) Tenho raiva (esse é o começo da questão).
b) Estou triste (esse é o fundo da questão).
c) Tenho medo (ninguém é super-homem ou mulher-maravilha).
d) Arrependo-me (também temos culpa no cartório).
e) Amo-te (é claro, afinal, todo esse tempo junto não foi à toa).
f) Perdoo-te (fundamental!).
g) Quero, a partir de agora… (propósito).


E você? Tem sido traído pelos sentimentos?
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