6 de out de 2009

Xenófanes de Cólofon, pseudo-eleata

Autor controverso, Xenófanes de Cólofon é enumerado por Platão, Aristóteles e Teofrasto entre os filósofos pré-socráticos, mas é evocado como poeta pela tradição literária (Estrabão, Apuleio, Ateneu e outros).

Xenófanes abandonou sua terra natal e percorreu o mundo grego até o Ocidente, durante os muitos anos que lhe permitiu sua afamada longevidade. Nos seus escritos, satisfez interesses díspares: cantou a fundação de Cólofon e sua emigração para Eleia (em versos hoje perdidos), lançou veementes invectivas à tradição homérica, deu conselhos acerca dos banquetes, especulou sobre a unidade dos contrários, criticou o conhecimento humano, satirizou a crença na reencarnação, defendeu a unicidade divina. Xenófanes teve enorme influência no desenvolvimento religioso posterior.

Ao que parece, foi a poesia o seu emprego principal nos anos anteriores à sua ida para Eleia; e continuou a servi-lo depois, transmitindo ao seu pensamento a elevação e o entusiasmo próprios da linguagem épica.

Entrementes, como já vivesse os últimos anos da Época Arcaica grega, vociferou sátiras acerbas tanto aos heróis dos jogos quanto aos deuses. Àqueles, objetou lhes que as vitórias esportivas fossem superestimadas em comparação com as conquistas intelectuais; a estes, que seus mitos estivessem contaminados de imoralidade.

Sua violenta reação de repulsa pela proeminência de Homero e o arquétipo poético e operou a primeira manifestação da discórdia entre poetas e filósofos, cuja veemência ainda seria grande no tempo de Platão. Apesar disso, seu rechaço ao influxo educativo dos grandes poetas gregos não o impediu de valer se dos mesmos expedientes literários de Homero e Hesíodo. Sua veia polêmica não é, portanto, em si mesma desconstrutiva; antes se constitui numa invectiva moral, em cinismo crítico diante das ideias tradicionais.
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