21 de set de 2009

Martírio, heroísmo, rebelião


Martírio, vitória mortal

O mártir não aceita o sofrimento pelo sofrimento, o que seria desumano e anticristão. Renuncia sim à incolumidade, por bens ainda maiores, cuja perda produziria um ferimento mais profundo no núcleo essencial da existência.

Cálculo e vida real

Entretanto, o heroísmo não se coaduna com um cálculo de perdas e ganhos: a tensão existencial não pode ser resolve por um acordo. As perguntas acerca do sentido e do limite razoável do sacrifício acabam sempre esbarrando no mistério insondável da existência concreta de cada pessoa.

O desconforto vital exige fortaleza

A estrutura do mundo está feita de tal modo que só a resistência às adversidades exprime a verdadeira fortaleza. Fortaleza é amor pelo bem mediante os sofrimentos e a própria morte. A desordem do mundo é o normal, de forma que a extrema força se manifesta justamente na máxima impotência.

Imortalidade, uma rebelião

Toda jovem geração considera tal estado de coisas insuportável. O jovem resiste a aceitá-lo e rechaça a velha geração que se resignou e abdicou de lutar. O homem imortal se revela justamente aí, quando constata contrariado que o mundo não é como deveria ser ou não é mais como foi. Eterna missão da juventude é superar a resignação, contestar a desistência.
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