1 de fev de 2014

O beijo não vem da boca

Já dizia Ignácio de Loyola Brandão que o beijo não vem da boca. Mas será que ele vem sempre do coração?…

Além disso, nem tudo que sai do coração é bom. O problema é que a mesma boca que te beija pode ser a boca que te escarra.

O problema também é que Deus é amor, mas o amor não é Deus. Ou seja: o amor não coonesta tudo. Quanto vale um amor sem sinceridade? Tanto quanto a liberdade sem a verdade. Podem chamar quaisquer afetos de amor, mas o amor verdadeiro envergonha-se do que a natureza veda, já dizia Andreas Capellanus.

Mas voltemos ao beijo. Existem três tipos:
  • basium, entre conhecidos (são as formas de de se cumprimentar socialmente);
  • osculum, entre amigos (ósculo, aquele que faz biquinho);
  • suavium, ou beijo dos amantes, cujo pudor exige discrição.
O cumprimento pode ser hipócrita como o de um fariseu; o ósculo pode ser traidor como o de Judas; e o beijo pode ser mentiroso como o de uma prostituta.

Olavo Bilac pedia:

Quero um beijo sem fim,
Que dure a vida inteira e aplaque o meu desejo!,
Ferve-me o sangue, acalma-o com teu beijo,
Beija-me assim!

Total: pode-se compor odes ao amor e elogios ao beijo, mas nem sempre encontrá-los, ou buscá-los onde não se encontram. Também o amor e suas manifestações necessitam de purificação!…
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