25 de jun de 2013

O tio de São João Batista

A notícia de que São José entrou nas Orações Eucarísticas II, III e IV foi um motivo de grande alegria. E acabou confirmando a tendência dos últimos séculos de colocar o Santo Carpinteiro acima de todos os outros Santos.

A dúvida sempre ficou por conta de seu sobrinho, sobre o qual Cristo afirmou: “entre os nascidos de mulher, não houve maior que João Batista” (Mt 11,11a).

A iconografia, à direita e a esquerda de Jesus, traz às vezes Maria e João. E José, onde ficaria? Penso que  os iconógrafos comeram mosca. Afinal, Maria é a Rainha Mãe e, como tal, deve estar junto de Cristo.

A Rainha Mãe era a mulher mais importante na corte real judaica e exercia a função de conselheira. Os reis tinham muitas mulheres, mas uma só mãe, à qual deviam ouvir e venerar, pois dividia o trono com ela (1Rs 2,13-21; 2Rs 24,12; 2Cr 22,3).

Assim, à direita de Jesus e Maria ficaria José e, à esquerda, João Batista, pois “o menor no Reino dos Céus é maior do que ele” (Mt 11,11b). Ou seja: José e João seriam os máximos representantes de cada um dos Testamentos.

Alguém poderia questionar se José — do mesmo modo que João — não deveria ser classificado como personagem veteritestamentário. Contudo, João Paulo II ensinou que “no limiar do Novo Testamento, como já sucedera no princípio do Antigo, há um casal” (Redemptoris custos, nº 7), pois “José é o primeiro depositário do mistério divino, juntamente com Maria. Simultaneamente com Maria — e também em relação com Maria — ele participa nesta fase culminante da auto-revelação de Deus em Cristo; e nela participa desde o primeiro momento. Tendo diante dos olhos os textos de ambos os Evangelistas, São Mateus e São Lucas, pode também dizer-se que José foi o primeiro a participar na mesma fé da Mãe de Deus” (ib., nº 5).

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Que nada disso diminua o culto a São João Batista! Por sinal, boa Festa Junina a todos!
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