12 de abr de 2013

Cinco pressupostos da rasoura igualitária

A figura ao lado, publicada numa fanpage do Papa Francisco, foi recentemente denunciada ao Facebook como “agressiva” (pois vilipendiaria um símbolo pretensamente bom ao utilizá-lo para algo verdadeiramente bom).

Sem dúvida, todos somos iguais e temos os mesmos direitos, mas tem sido muito comum qualificar de “direito” toda sorte de reivindicação, ainda que antropologicamente falida.

Como um dos reclamantes me escreveu expondo a sua opinião contrária, recheada de críticas à Igreja — que entrou de gaiata na história —, enviei-lhe a seguinte resposta que penso ser útil reciclar aqui.

***

Primeiramente, creio ser preciso reconhecermos que você parte de alguns pressupostos “seus”. Assim, é forçoso que chegue a conclusões divergentes da doutrina da Igreja.


Pois bem, devido à solidez da doutrina católica, esses pressupostos devem ser bastante bem avaliados.

Em primeiro lugar você afirma, por exemplo, que a Bíblia “foi usada como objeto de dominação”, ou que o cristianismo justificou “atitudes horríveis”. É difícil entender a quê você se refere ao dizer isso. Afinal, a Igreja tem 2.000 anos e criou raízes em diversíssimas culturas.

Na verdade, a Igreja civilizou o Ocidente e tornou-se um referencial moral para todo o planeta, além de ser responsável por uma rede mundial caritativa, hospitalar e educativa, sem precedentes na história da humanidade. 

Outro pressuposto seu é que as instituições são obrigadas a se atualizarem de acordo com as mudanças culturais. É uma afirmação ambígua: concordo com você se essas mudanças forem boas e vinculantes. Fico em cima do muro se essas mudanças forem boas e indiferentes. Discordo de você se forem mudanças ruins. 

Seu terceiro pressuposto é que a Igreja tem sido lenta para acolher divorciados e homossexuais. Para afirmá-lo, faz referência a pastorais para separados que permitiriam a Comunhão eucarística.

Ora, não me parece cabível comparar rupturas matrimoniais com orientação sexual. 

Por outro lado, a situação dos divorciados é muito variada: há aqueles que simplesmente romperam seu casamento; outros que estão arrependidos do que fizeram; outros que foram traídos; outros que buscaram outro relacionamento afetivo; outros que contraíram responsabilidades decorrentes de novas uniões; etc. Portanto, reduzir a pastoral dos divorciados à possibilidade de comungar é um simplismo muito grande. 

Na verdade, a doutrina da Igreja é claríssima sobre isso: as pessoas que vivem ativamente em segundas núpcias não podem receber os sacramentos enquanto permanecerem nessa situação, pois suas vidas estão em desacordo com o ideal matrimonial proposto por Cristo. Mas isso não quer dizer que não possam ir à Missa, rezar, receber direção espiritual, etc. 

No fundo, a reivindicação dos sacramentos como se fossem “direitos usurpados aos fiéis” é de matriz marxista e não cristã. Quem assim pensa, não sabe o que são os sacramentos.

Seu quarto pressuposto é que a Igreja ignora o direito das pessoas a terem seus eventuais relacionamentos homossexuais reconhecidos civilmente.

Aqui percebo claramente a redução da noção de matrimônio. Se o matrimônio fosse apenas direito à sexualidade, ou tivesse uma finalidade meramente genital, ou nada tivesse a ver com filhos, ou nem tivesse seu conteúdo determinado pela natureza, então eu concordaria com você.

Por fim, seu quinto e último pressuposto é que os homossexuais seriam vistos pela Igreja como “cidadãos de segunda classe”.

Nada mais longe da verdade! Acima de tudo, a Igreja vê cada um de nós como pessoa humana. O epíteto “homossexual” é desnecessário para defender os direitos civis de qualquer um.
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