8 de abr de 2013

Linguagem inclusiva, burrice exclusiva

Existe uma conhecida campanha legislativa em prol da assim chamada linguagem inclusiva. À época da posse da presidente Dilma, a questão tornou-se até mais debatida.

Adoro as mulheres, mas é uma besteira esse papo de “irmãos e irmãs”, “ser humano” em vez de dizer simplesmente “homem” e outras alternativas. No caso da palavra “homem”, isso é ainda mais ridículo, visto que homo, hominis indica a espécie, enquanto “varão” e “varoa” (tudo bem!: “senhora”) indicam o gênero (o sexo).

Esse pretenso inclusivismo pressupõe que o vício do machismo está tão arraigado que existiria até em nosso idioma! Aqui há dois equívocos: o primeiro, é que tal machismo é inexistente; o segundo, é que desconhecem a língua portuguesa. Ademais, não se deva mudar a língua por decreto (coisa feita apenas pelos totalitaristas ao longo da história, e que o desejam fazer os ideológicos de plantão).

Antes de saírem defendendo essa barbaridade linguística, seria bom que fossem estudar gramática. Efetivamente, a ideologia vive de mal com o estudo.

Copio uma explicação acerca do assunto, de autoria do helenista Jorge Piqué (os grifos são meus):

«Embora tenhamos aprendido na gramática tradicional que cada categoria tem um significado bem preciso, isso de fato não acontece nas diversas línguas. Geralmente temos dentro de cada categoria uma oposição entre um termo marcado, isto é, com um sentido bem preciso, e um termo não-marcado, isto é, neutro quanto a distinção apresentada pela categoria.

Tomemos inicialmente como exemplo a categoria gênero em português. A gramática tradicional nos diz que essa categoria apresenta um termo “masculino (ex.: gato) e um termo feminino (ex.: gata). Na verdade existe apenas o gênero feminino. O que chamamos de masculino é apenas o termo não-marcado, ou seja, neutro com respeito a diferença de sexo. O termo “gata em todos os contextos e mesmo isoladamente indica um animal do sexo feminino, mas gatonão. Embora em muitos contextos possa representar um animal do sexo masculino, a forma em si não nos diz nada sobre o sexo. Veja por exemplo a frase gato é um mamífero.” Obviamente não se refere a um gato macho, mas ao gato enquanto espécie, independente de seu sexo. Justamente pelo fato da forma “gato ser não-marcada quanto ao gênero é que ela acaba sendo escolhida quando se trata de um animal do sexo masculino. O mesmo vale para termos como “homem” ou “cavalo. Às vezes, pode ocorrer o contrário, o marcado ser o masculino (ex. “bode) e o não-marcado o feminino (ex.: cabra"), embora seja pouco frequente.»

Só um detalhe: “presidente” serve aos dois gêneros (particípio presente do verbo “presidir”) e o feminino “presidenta” também é correto.
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