12 de mar de 2013

Conclave ou sineclave?

Embora a Igreja viva entre parênteses jornalísticos — a não ser para a notícia de um derradeiro escândalo sexual ou da mais recente pesquisa quantitativa de fiéis decrescentes —, a renúncia de Bento XVI e a perspectiva do novo conclave não saíram da boca do povo e das páginas dos jornais no último mês.

Fiz duas constatações a esse respeito. Primeira, que nossas mídias são incapazes de analisar os fatos, tanto que resumem dossiês de repórteres estrangeiros pior do que o faria um calouro da faculdade de comunicação.


Exemplo disso é o comentário agridoce da Rachel Sheherazade, por quem nutro admiração, mas que sacrificou o Direito em nome o denuncismo. Segundo ela, cardeais suspeitos de conivência com delitos cometidos por sacerdotes deveriam ser excluídos do conclave. Não sei que autoridade e conhecimento ela possui para versar de tamanha casuística!

Com efeito, o Direito da Igreja garante que nenhum cardeal (que tenha a idade prevista) seja excluído da eleição por nenhum motivo ou pretexto, mesmo que ele tenha incorrido em excomunhão, suspensão ou interdito, ou tenha qualquer outro impedimento eclesiástico: nesse caso a censura é considerada suspensa para efeitos exclusivos da eleição do Papa.

Entre os motivos dessa norma está a vontade de evitar, por todos os meios, que os cardeais sejam pressionados, chantageados ou impedidos de votar. Eles, mesmo incorrendo em censura eclesiástica, não perdem a titularidade dos direitos vinculados ao seu próprio estado.

A segunda constatação que fiz a partir da nossa sofrível cobertura jornalística, é que pequenos e grandes gaiatos aproveitam a ocasião para defender a agenda pós-moderna. Como bem disse Clodovis Boff, “erigem a opinião pessoal como critério último de verdade e gostariam de decidir os artigos da fé na base do plebiscito”.

Por exemplo, Sonia Rabello, ex-vereadora do Rio pelo PV, afirmou que as mulheres devem “compartilhar com os homens todas as posições para que o equilíbrio seja alcançado”. Onde estão as mulheres na votação do Papa? Por que não têm uma “participação mais democrática na gestão da Igreja?”

Não sei que vantagem teriam as mulheres em votar no Papa. Na verdade, quase ninguém na face da Terra faz isso: apenas 100 pessoas contra 6 bilhões de habitantes… É uma discussão totalmente mal colocada. Teoricamente, seria possível que mulheres escolhessem o Papa, se assim a autoridade da Igreja o dispusesse canonicamente. Mas o Papa necessariamente seria um homem, pois é doutrina irreformável que apenas os varões são capazes de receber o sacramento da Ordem.

Em quem aposto para Papa? No Espírito Santo. Ele vai surpreender!

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