27 de set de 2012

Nove razões do atual entusiasmo por Hebe (Ήϐη)

Ήϐη
Flos ætatis, periculum tentationis.
— A flor da idade, perigo da tentação.
(Santo Agostinho, Ad iuvenes

Segundo Horácio, a juventude é cereus in vitium flecti: tão flexível para o vício quanto a cera (Ars poëtica, 163). A sentença também vale ao contrário, e talvez ainda mais. Com efeito, uma personalidade jovem bem formada, quanto não poderá fazer de bom na vida.

Horácio dirá mais; para ele, o jovem é tardus provisor: um tardo previdente (ib., 164). Por sua vez, Cícero afirmará: temeritas est florentis ætatis, prudentia senescentis — se a temeridade é própria do jovem, a prudência o é do ancião (De senectute, VI, 20).

Não obstante precisar de orientação, moderação e advertência — a fim de alcançar a maturidade —, por incrível que pareça a juventude tem sido proposta como exemplo e referência para os mais velhos.

Diz-se que, num mundo pessimista, as razões para a hipertrofia da juventude são:

1) Os jovens veem a vida como curtição. — Mas a “realização pessoal” é inimiga da “realização dos valores”?

2) Os jovens buscam a espontaneidade. — Mas é a espontaneidade que nasce das virtudes?

3) Os jovens sabem quebrar as regras e convenções. — Todas?

4) Os jovens desejam ser “eles mesmos”. — Sem abnegação? Sem transformação?

5) Os jovens vivem e interpretam seu próprio tempo. — Isso é efemeridade ou busca do absoluto?

6) Os jovens são livres do passado. — Eles não têm identidade?

7) Os jovens têm espírito crítico. — Mas sem terem ainda formado o critério?

8) Os jovens são a vanguarda profética das causas da justiça. — Que romântico!

9) Os jovens são intuitivos. — Sobre o quê?

Tenho dúvidas se divinizar a juventude não poderia causar ainda mais pessimismo à medida que sobrevém o envelhecimento. Mas essa inflação de Hebe também tem seu lado positivo se ela ajudar a perceber a emergência educativa em que vivemos.

Noutras palavras: se contemporaneamente houve uma positiva mudança semântica e de abordagem quanto à juventude, eis aí uma excelente oportunidade de cuidar com mais esmero da sua educação.

Educar é tratar um sujeito como se fosse objeto, embora sem tolher sua liberdade. E se há olhos tão otimistas para objeto tão nobre quanto a juventude, então é hora de cuidar dela com especial atenção.

Para isso, a JMJ será uma oportunidade ímpar. Fique ligado.
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