24 de fev de 2012

Choque de qualidade ou choque de ordem?

A Prefeitura do Rio de Janeiro adora essa história de choque de ordem. É choque de ordem na orla, nos bairros, nas ruas, nos estacionamentos, no banheiro, no carnaval…

Muito já se falou também que o Brasil precisa de um choque de gestão. Um chacoalhão administrativo, desburocratizante, moralizante.

Que seja. No entanto, talvez o que mais seja necessário é um choque de qualidade. Pensemos nessa picaretagem de muitas faculdades de humanas e inclusive de exatas, em que os professores começam a aula mais tarde porque os alunos sempre chegam atrasados. De que adiantaria obrigá-los a chegar na hora se a aula for aquela enrolação de sempre?

Mais eficaz seria um choque de qualidade nas aulas. Bons professores não precisam exigir pontualidade, pois sua qualidade se encarrega de fazer os alunos deixarem o bar mais cedo.

Ordem não traz progresso; ordem traz tranquilidade. A Suíça organizada é exemplo para a confecção de relógios cuco e chocolates, enquanto a Itália bagunçada é exemplo de cultura, arte e criatividade.

Por isso, em vez de “Ordem e Progresso”, nosso moto deveria ser “Qualidade e Progresso”, o que traria a vantagem adicional de sacudir o jugo intelectual do positivismo que tanta miopia conferiu ao país.

Organizar a pouca vergonha nacional equivale a uma mulher safada comer cosmético numa tentativa desesperada de se tornar bonita por dentro.
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