9 de jan de 2012

Para sentir é preciso pensar

Li um trecho de Teo-Logic, Truth of the World, em que Von Balthasar explicava que a vida intelectual das pessoas vulgares é prosaica.

Com efeito, da mesma maneira que vão buscar as suas ideias a uma espécie de biblioteca circulante de pensamento e as devolvem manchadas no fim da semana, assim também tentam conseguir as suas emoções a crédito, e recusam-se a pagar a conta, quando ela chega.

Um sentimentalista é uma pessoa que deseja ter o luxo de uma emoção sem pagar por ela. O sentimentalista é um cínico de coração.

Na verdade, o sentimentalismo é apenas o feriado do cinismo. E por muito delicioso que o cinismo seja do ponto de vista intelectual, nunca pode ser mais do que a filosofia perfeita de um homem sem alma.

Essa contínua inclinação a se auscultar — ou a duvidar sistematicamente, ou a permanecer do contra, ou a afetar conhecimento sem comprometer-se — é mais um sintoma da infantil estagnação intelectual dos nossos dias.
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