31 de jul de 2011

Aprendendo com Edith Stein

Edith Stein me cativa por sua aguçada fenomenologia. Além de ser uma figura ímpar na história da filosofia, também me surpreende sua vida mística e seu martírio em Auschwitz. No meu modo de ver, a mais machista das profissões (a filosofia) teve de abrir uma cátedra de honra exclusiva para ela, na qual brilha sozinha.

Acho digna a menção que se costuma fazer na história feminina da filosofia à neoplatônica Hipátia, vítima do fanatismo, mas a alexandrina assassinada era mais matemática do que filósofa. Por sua vez, Edith Stein, que também foi vitimada pela intolerância, era de fato uma filósofa de mão cheia.

O filme A Sétima Morada foi uma primeira tentativa de representar sua vida, mas me parece faltar leveza a essa produção italiana. Vamos ver como ficará o próximo longa, prometido para 2012.

Faço uma confidência. Ultimamente, venho sentindo uma sorte de desgarrão, causado pelo tempo escasso e pela pouca cabeça, em minha tentativa de abraçar o mundo. Queria mais do que nunca me dedicar ao pensamento puro, algo de que me vejo tolhido por mil míseras solicitações, no entanto nobres. Fiquei contente ao ler a exata descrição do meu problema em seu livro A mulher: sua missão segundo a natureza e a graça, 2, II (EDUSC 1999, pág. 88):

“O corpo e a mente do homem estão equipados para a luta e a conquista segundo sua vocação original de submeter a terra e de tornar-se seu senhor e rei. Nele atua o impulso de sujeitá-la pelo conhecimento e assim apropriar-se dela pelo espírito, mas de adquiri-la também como posse, com os prazeres que ela tem a oferecer e, finalmente, de transformá-la em sua própria criação pela ação transformadora. (…) Quando a vontade de conhecer se revela forte e quando empenha todas as suas forças para satisfazê-la, vê-se na contingência de ter de renunciar amplamente às posses e ao desfrute dos bens da vida; quando coloca a sua vida a serviço de posses e prazeres, aproxima-se menos do conhecimento puro (…). Quando se dedica totalmente à criação de um pequeno mundo pela ação formadora (…) acaba relegando a um segundo plano o conhecimento puro e a alegria dos bens da vida. Em cada um desses campos por sua vez, o desempenho individual é tanto mais perfeito quanto mais limitada a área de ação. Desta maneira, é justamente o desejo da realização mais perfeita possível que leva à uniteralidade e ao atrofiamento de grande parte das suas possibilidades.”
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