26 de ago de 2010

Sequestro da Europa


Ideias brutas de um olhar mais abrangente…

Europa conceito cultural, não geográfico

No século V a.C., surgira na Grécia o mito do sequestro de Europa. Evoca a superioridade da pólis grega sobre os povos belicosos do norte e os sensuais do sul. O polo cultural, transferido posteriormente a Roma, deu ao Cristianismo nascente seu canal de expansão.

A Europa herdou, portanto, a fé de Israel e a razão da Grécia. Isso se torna mais patente através do contraste com o catolicismo do Oriente (especialmente na Rússia), o qual criou um mundo próprio, em que não se separam Igreja e Estado. — Logo, a Europa é cristã, mas não é o Cristianismo.

A relação entre tais extremos europeus, a fé e a razão — que, contudo, não têm de necessariamente se oporem — acabou em divórcio. O início da Modernidade vivenciou duas rupturas: as teses do heresiarca Lutero e a descoberta da América. Já no seu final, durante a Ilustração, forjou-se uma teoria sobre o Estado e a história, negando sua origem sacra. No lugar da visão tradicional, propôs-se um Estado laico racional kantiano.

Consequências dessa evolução foram a separação entre Igreja e Estado, os direitos humanos e a democracia. O Cristianismo esteve sempre presente ao longo desse caminho, mas hoje é visto como “mal a ser extirpado” da cultura europeia.

Por isso, Bento XVI sempre sugere que o conceito de “racionalidade” seja ampliado. Com efeito, a Ilustração foi um momento de manipulação e reconstrução semântica dos conceitos.

Sequestradores da Europa

Embora muitos pensem no Cristianismo como o raptor da Europa, os verdadeiros inimigos da Europa são:

1) O Islã, pois não aceita a razão grega e a separação entre fé e lei.

2) O Iluminismo kantiano, pois, ao renegar o acesso à verdade, criou uma cultura de utopia, messianismos e ideologias.

3) O nacionalismo fragmentador, especialmente o nacional-socialismo.

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O quanto isto nos afeta?
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