28 de mai de 2010

A arte como criadora de âmbitos

Desde Fracis Bacon, impôs-se a convicção de que saber é poder. Logo, só importariam os conhecimentos práticos. Consequentemente, a vida torna-se um problema a ser resolvido, perdendo-se o sentido das relações humanas.

Com efeito, a compreensão do sentido das relações humanas não é um conhecimento prático, não é redutível a esquemas.

As crianças não têm sentido das relações. Problematizam tudo. Quando a vida é vista como um problema, torna-se um dilemaA maturidade, porém, não bipolariza as situações, pois aceita os contrastes. Quando a vida é vista como um âmbito de relações, passa a ser encarada como um conjunto de contrastes.

Aristóteles enumerava a relação entre as categorias do ser. Mas é um modo de ser que depende de outro. Ora, os objetos adquirem maior “personalidade” na medida em que entrem no âmbito das relações humanas (âmbito familiar, profissional, quotidiano, físico, histórico, etc.).

A melhor postura diante dos objetos consiste em contemplá-los e entendê-los, mais do que em lucrar com eles ou dominá-los. Cabe à arte transformar os objetos em âmbitos de relações.

Mas o avanço da técnica levou a considerar suspeitos a arte, a beleza, a estética, os sentimentos. Desde Kant, tem-se feito discriminação entre ciência e cultura, entre exatas e humanas.

Os sentimentos são as primeiras respostas e os primeiros caminhos entre o homem e a realidade. A educação dos sentimentos é feita primariamente pela família, onde se deve ensinar a ter as reações adequadas diante da vida. A escola, que também deveria educar subsidiariamente os sentimentos, tem-nos desprezado e se especializou em educar meros técnicos.
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