27 de jan de 2010

Clássicos: características e outras dicas

Já é recorrente glosar a caracterização feita por Ítalo Calvino no seu livro Por que ler os clássicos. Peço licença para tornar a fazê-lo.

E, para quem não viu, já havia uma postagem a respeito com uma apresentação de slides. É dela que extraio as considerações abaixo sobre os clássicos:

1. Inesgotável.
Nunca termina de dizer tudo.
Vasto como o mar, sempre diverso.
É como que um equivalente do universo, à semelhança dos antigos talismãs.

2. Sempre novo.
Revela as constantes que fazem parte de nossos mecanismos interiores e cuja origem havíamos esquecido.
Sua releitura é uma leitura de descoberta como a primeira.

3. Fascinante.
Sua leitura surpreende.
Contradiz a imagem que dele se costuma fazer.
Reclama a leitura direta dos textos originais, evitando o mais possível críticas e comentários.

4. Não se pode desprezar.
Tende a ser pouco frutuoso na juventude por causa das distrações, inexperiência e impaciência.
Traz maturidade, relegando as modas passageiras a barulho de fundo.

5. Marcante e influente.
Impõe-se como inesquecível e se oculta nas dobras da memória.
Fornece modelos, recipientes, termos de comparação, escalas de valores, esquemas de classificação, paradigmas de beleza.

6. Verdadeiro.
Revela o que já é sabido.
Revela que ele o dissera primeiro.
Revela a relação de origem, tornando‑se, assim, propriedade do leitor e vice‑versa.

*****
Finalmente, deixo algumas dicas para render ao máximo a leitura desses livros:

1. Fixar um horário diário de leitura.

2. Ter uma pessoa erudita a quem recorrer.

3. Trocar impressões com outros leitores.

4. Ler clássicos literários de pelo menos três idiomas.

5. Exercitar‑se imitando a forma de escrever desses clássicos.
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