19 de fev de 2013

O debacle ideológico diante de uma renúncia

Nós seres humanos vivemos em tensão: entre aquilo que é perene, definitivo, estruturante; e aquilo que é dinâmico, mutável, cambiante. Se quiser, pode chamar esse dualismo de masculino – feminino, ying – yang, Cristo – Espírito Santo, etc.

Nesse sentido, para falar da Igreja, é preciso ter presente que ela é um projeto divino realizado na vida dos homens, tanto santos quanto pecadores. E que, para secundar a ação do Espírito Santo nas vicissitudes da história, quem exerce a autoridade procura proteger os carismas com uma estrutura jurídica que os potencialize.

Fazendo uma comparação, é como no amor entre um homem e uma mulher: para selar e salvaguardar os sentimentos, vem a graça do matrimônio coroar a mútua união dessas vidas.

Portanto, não faz sentido opor instituição à vida, ou o aspecto espiritual ao carnal. Isso seria como dizer que Jesus não vale, mas só o Espírito Santo, pois o Espírito traz dinamismo para o mundo, enquanto Jesus apenas fundou uma Igreja necessariamente pervertida pelos homens.

É evidente que as estruturas podem ser melhoradas para melhor realizarem em cada época os ideais que elas devem expressar. Mas isso não justifica impugná-las por princípio.

Não há como exigir da mídia fé sobrenatural para interpretar os fatos da Igreja. No entanto, quando leio nos jornais a opinião de pseudoteólogos egocêntricos ou tarados — hereges contumazes como Boff ou Küng, que se valem da renúncia de Bento XVI para falarem de si mesmos e expelir a bílis do seu fracasso religioso —, pergunto-me se seria demasiado exigir da imprensa uma pouquinho de boa-fé. Ou os jornalistas são tão incompetentes que o fato de eles teimarem anos a fio em contar com a colaboração das mesmas cartas marcadas simplesmente indica o seu completo despreparo intelectual e cultural?

O explicado acima traz à luz apenas uma parte do problema. Afinal, opor estrutura jurídica e dinamismo profético é o simples resultado de aplicar à Igreja Católica premissas protestantes. Ainda faltaria falar de premissas modernistas (dogma e revelação como mitos), e de premissas marxistas (uso do poder para oprimir pessoas carismáticas).

Liberte sua fé das amarras dessas ideologias. Do contrário, seus olhos só enxergarão o que você quiser ver.
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