16 de jan de 2014

A viagem de Bunyan

O Peregrino, de John Bunyan (1628-1688), é considerado o segundo livro mais vendido da história (antes mesmo do Corão). A razão do estranho sucesso advém de que costumava vir publicado como apêndice nas bíblias protestantes inglesas. Se não fosse assim, sua difusão teria sido infinitamente menor.

O drama consiste na descrição dos dez estágios pelos quais um cristão migra da Cidade da Destruição até a Jerusalém Celestial.

Do ponto de vista literário, o resultado final é bastante inferior à narrativa de peregrinação descrita na Commedia de Dante Alighieri, a qual também guarda uma conotação espiritual.

O mérito de Bunyan foi reabilitar a alegoria como instrumento catequético moral, valendo-se de passagens bíblicas como urdidura. Não obstante, suas alegorias são muito menos sutis que as de outro autor anglicano, C. S. Lewis.

Bunyan era batista calvinista, dissidente do anglicanismo oficial. Portanto, é esperado que sua obra contenha alguns inconvenientes doutrinais. Saltaram-me à vista os seguintes:

a) Critica Moisés acerbamente.

b) Apresenta a vida cristã como uma conquista individual.

c) Afirma a absoluta corrupção da natureza humana, mas…

d) … quanto à salvação, valoriza totalmente o livre-arbítrio e omite a predestinação (?!?).

e) Blasfema contra o Papa.

Pessoalmente, achei o livro triste. O caminho do cristão pode ser estreito, mas é repleto de alegria.
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