29 de set de 2013

Meeting point

A família é um dos meeting points nos que se podem pôr de acordo pessoas das mais variadas ideologias e convicções. É opinião majoritária que a estabilidade familiar desempenha um grande papel social, de modo que pega muito bem defender as “famílias que funcionam”. Só quem está muito obcecado por posições ideológicas pode sofrer da “síndrome da orquestra do Titanic” e continuar sem entender algo tão elementar.

Nessa seara, é imprescindível apoiar qualquer argumento, por mais óbvio que seja, em dados sociológicos e em fontes rigorosas, evitando critérios filosóficos, antropológicos e morais, ainda que estejam certíssimos. No máximo, pode-se aduzir argumentos de senso comum, os quais são aceitos porque a experiência costuma convencer mais que os arrazoados.

Com efeito, a sociedade não costuma aceitar atitudes prepotentes ou arrogantes, dando mais peso a estudos de caso, a debates e a reuniões, do que a aulas e preleções. A delicadeza na exposição também implica explorar um jargão de eufemismos e expressões politicamente corretas, mas que supõem cortesia e apreço pelas diferentes opiniões: diálogo intergeneracional, igualdade, exclusão social, etc. Nesses debates, é mister ter presente o ditado: O vencedor é tanto mais honrado, quanto mais o vencido é respeitado. Não importa perder os matizes se ficar claro onde a verdade teima em ficar.

Por outro lado, não se pode esquecer que os organismos, enquanto pessoas jurídicas, não têm opinião. Suas linhas e tendências variam com o tempo, em função do consenso dos membros, cujos critérios oscilam conforme o vai-e-vem dos governos e os oportunismos políticos. Nesse sentido, interessa ficar atento à dinâmica dos órgãos e tratar com cada pessoa em particular.

Muitos dos que propagam erros práticos no campo da família carecem de documentação, de opiniões matizadas, de assessores criteriosos. Ao mesmo tempo, agradecem receber suporte de dados que lhes deem respaldo na defesa dos valores familiares atacados pelos teóricos badalados.

Aqui há um ponto importante: às vezes, o que se chama “família tradicional” é apenas um dos frutos recentes da revolução industrial, que separou a casa do lugar de trabalho. Portanto, defender os valores familiares não é sinônimo de nostalgia. O desenvolvimento social sempre une efeitos positivos e negativos; mas, para haver progresso, a família sempre deve ser protegida em todas as circunstâncias, com as necessárias adaptações a cada época.

Por fim, falar da família supõe ter uma visão positiva e otimista. É paralisante reagir negativamente diante de políticas impositivas equivocadas, de definições deformadas do matrimônio, da legalização de condutas aberrantes, etc. A defesa da família está fadada ao triunfo, embora exija tempo e esforço.
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