18 de jun de 2013

Flashmob social

Uns, pois, gritavam de um modo, outros de outro; porque a assembleia estava em confusão, e a maior parte deles nem sabia por que causa se tinham ajuntado (At 19,32).

Eu sonho com a juventude brasileira. Eu sonho com o Brasil. No Brasil encontramos matéria, mas sentimos falta de quem lhe dê forma.

Houve estadistas que acalmaram as convulsões nacionais e souberam unir o país sob a égide do nacionalismo e do romantismo.

Hoje, porém, as convulsões tornam a ser estimuladas por ideólogos que substituem a participação política democrática pela “expressão pública do descontentamento”. Com efeito, é significativa a apatia política em contraste com a capacidade de mobilização social.

Os protestos em nossas cidades são como um “Inverno Brasileiro”, sucedâneo de Primavera Árabe. Alastram-se pelas redes sociais como se fosse a convocação para um flashmob.

Essa balbúrdia parece um estertor social, a externalização da falta de verdadeira participação na vida política, uma reação patológica diante de instituições desacreditadas.

Se a vaia à presidente Dilma no estádio explode naturalmente, organicamente, tais protestos, ao contrário, são organizados para parecerem desorganizados.

O jovem país envelhece defraudado de valores e impulsionado pelo exibicionismo. Renasce um terceiro Brasil. Os dois primeiros já tinham sido apontados por Machado de Assis: o Brasil oficial, dos burocratas, e o Brasil real, dos brasileiros autênticos.

Renasce então o terceiro Brasil, mimetista, panfletário, o Brasil dos que pensam mudar a nação com uma espécie de reedição da Coluna Prestes. Nos anos 20, acreditava-se a nação se incendiaria politicamente graças a um comboio de idealistas. Hoje se espera que internautas descubram novos continentes… sem sair do lugar nem mudar de atitude.

A mobilização é justa, mas os motivos são dúbios e os aproveitadores, numerosos. Elogios a quem faz promessa, bajulação às autoridades, protestos a quem não nos faz as vontades: os políticos conseguiram tudo isso ao mesmo tempo. Só não se entende como se faz história vilipendiando monumentos históricos.

A mobilização demostra que os canais para a manifestação da discordância não se podem reduzir às eleições. E também deixa claro que a juventude universitária brasileira anseia por um ideal, por uma bandeira.

Por isso eu sonho com a juventude brasileira, sonho com o Brasil. Há demanda, embora ainda falte oferta.
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