25 de mai de 2013

As três montanhas de Moisés

O monte da Fé

Moisés foi apascentar as ovelhas do sogro madianita e chegou no Planalto do Sinai, no deserto de mesmo nome. Segundo uma tradição, alcançou o pico do Salgueiro (gebel Serbal), de 2.054 m de altura, que está quase a pique sobre um planalto a 1.500 m sobre o nível do mar, rico em águas.

Deus então lhe fala, através de seu Anjo, desde uma sarça que ardia sem se consumir. Se era uma variedade de ditamo branco (que segrega uma essência facilmente inflamável com calor intenso sem consumir as plantas donde emana), ou uma lorantácea (parasita das árvores desses climas, cujas flores vermelhas parecem brasas sob o sol pleno), não importa. O fato é que Deus lhe comunica que se tinha lembrado de seu povo oprimido no Egito e o chama a ser o seu libertador.

De pés descalços, Moisés ousa indagar pelo Nome de Deus e obtém em resposta o que torna esse episódio a teofania fundamental de toda a história da salvação: Deus lhe revela — com uma aparente recusa, reveladora ao mesmo tempo que ocultando, a santidade e a transcendência divinas — o seu Nome inefável: “Eu Sou Aquele Que Sou”: JAVÉ (YaHWeH).

A noção divina que o Nome JAVÉ representa é distinta e elevada, superior ao nome com o qual Deus se revelara a Abraão (Gn 17,1; 28,3; 35,11; Ex 6,3; 1Rs 20,23; Ez 1,24; 10,5), pois “Ele é” significa primariamente “Ele vive”, contraposto aos ídolos mortos; “Ele é” o Deus presente que “será” com Moisés e com o povo, como o foi com os patriarcas ((Ex 3,6.12.15).

O monte do Amor

Enfim o povo chegou ao monte Sinai, também chamado Horeb pelas tradições eloísta e deuteronomista, termo que significa “árido, seco”. É o “Pico de Moisés” (gebel Musa), com 2.285 m de altura, até onde Egéria peregrinaria em 383 AD.
Ao terceiro dia do mês de Sivã, Deus comunicou ao povo as suas “Dez Palavras” e transmitiu a Moisés o “Código da Aliança” (Ex 20,22–23,19), pacto selado com solene sacrifício de sangue (Ex 24,3-8) e Comunhão (Ex 24,9-11).

Aí nasceu Israel como povo livre (Lv 26,42-45; Dt 4,31; Eclo 44,21-23) e comprometido a observar os mandamentos e a Lei (Ex 20,1; 20,22–23,33; Dt 5,1-21). Em contrapartida, Deus prometeu fazê-lo seu povo particular e cercá-lo com sua proteção (Ex 19,4-8; Dt 11,22-25; 28,1-14).

A Lei de Deus (Js 24,26) é, pois, o conjunto das prescrições religiosas e civis colecionadas no Pentateuco, o qual, porém, contêm coleções (Ex 25–31; 36–40; Lv 1–16; 23–27; Nm 1–10; 17–19) diacronicamente incompatíveis que foram sendo acrescentadas pela tradição à legislação mosaica a fim de acomodá-la às novas circunstâncias da nação.

O monte da Esperança

“No final do caminho do Êxodo, destaca-se outro lugar elevado, o monte Nebo, donde Moisés pôde contemplar a Terra Prometida (cf. Dt 32, 49), sem a alegria de poder pisá-la, mas com a certeza de a ter finalmente alcançado. Aquele seu olhar a partir do monte Nebo é o próprio símbolo da esperança. Daquele monte, ele podia constatar que Deus tinha mantido as suas promessas. Uma vez mais, porém, devia confiadamente abandonar-se à omnipotência divina quanto ao pleno cumprimento do desígnio preanunciado.” (Bem-aventurado João Paulo II, Carta sobre a peregrinação aos lugares relacionados com a história da salvação, 6).
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