25 de jun de 2012

Três estertores da história

O historiador Carlos Guilherme Seroa da Mota fez uma preleção na Academia Brasileira de Letras a 10/4/12, na qual explicou que, durante os setenta anos entre 1929 e 1989, assistiu-se à crise da paideia ocidental. E que, de lá para cá, com a queda das Torres Gêmeas e a recente crise econômica, assiste-se ao “fim da história”, embora isso nada tenha de nostradâmico.

Tem sido recorrente falar de crises e de pós-alguma-coisa. E, enquanto uns soltam rojões pelas conquistas, outros choram pelas perdas. Triste embate entre visões de vanguarda e valores remanescentes. Mas nenhum tempo é melhor que outro: penso que seria preferível simplesmente depurar os arroubos de ambos os lados e trabalhar em conjunto na busca do equilíbrio.

Mas, retornando às ideias do palestrante… ele apontava três aspectos da crise da história:

1. Abandono da historiografia. Os clássicos nacionais esquecidos por uma transição marcada pela ruptura, pela revolução, pelas mudanças de paradigma.

2. Dessacralização dos personagens. Mesmo que haja um positivo resgate do papel das mulheres, o protagonismo do ser humano foi substituído pela “estrutura”.

3. Invasão de outras áreas. Os anos 70 estudaram, por exemplo, a história quantitativa, de cunho econômico. Por outro lado, conceitos tão alheios quanto obsoletos, vagos quão impróprios, deformam o discurso do historiador: “reflexo” (da psicanálise), “influência”, “raça”, etc.

De fato, quadros mentais são prisões de longa duração. E o texto, tão dócil às leituras, torna qualquer fonte passível de manipulação.
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