11 de mai de 2012

A fêmea do tisiu

Algo parecido ao que me referia quando falei do meu tweet mais sincero tem ocorrido no Facebook. Tenho visto postados cartazes com dizeres inspiradores ou atribuídos a personalidades importantes, mas faltos de conteúdo e deveras enganadores.

Por exemplo, um desses cartazes dizia que se o plano A der errado, fique tranquilo, pois ainda haveria outras 26 letras. Logo, o alfabeto teria 27 letras?!?

Outro, ainda pior, afirmava:

“Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens” (Alice Walker, premiada escritora americana, ativista feminista e vegetariana).

Pergunto-me: bichos, negritude e mulheres pertencem à mesma categoria? Fora o idioma dyirbal, dos aborígenes australianos de Queensland (em que as mulheres pertencem ao mesmo gênero de água, fogo e correlatos, violência, criaturas e fenômenos perigosos), desconheço onde mais será feita em sã consciência tão bizarra analogia. 

(Uma digressão: por isso mesmo, gostaria de ler o livro de George Lakoff: Women, Fire and Dangerous Things, sobre as categorias mentais.) 

Mais: animais têm “propósitos”? Ou ainda: os mesmos homens que defendem a escravidão negra (ainda existem?) pretendem mesmo “usar” as mulheres?

Em suma, aquela afirmação feminista-ativista-vegetariana estabelece uma analogia, presumindo uma inferência de baixíssima probabilidade.

Nessas horas sinto vergonha alheia.
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