1 de abr de 2012

Soluções de longo, médio e curto prazos

Vira e mexe algum amigo se queixa da péssima educação, dos preconceitos, da intolerância laicista e dos maus bofes.

São questões como: Por que sendo o Brasil um país católico, recebe tão pouca acolhida um filme como Homens e Deuses, sobre os mártires da Argélia (vencedor do Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes em 2010)? Por que o incrível pontificado de Bento XVI recebe tão pífia cobertura jornalística? Por que todo mundo se abstém de carne na Sexta-feira Santa mas quebra o jejum prescrito com um lauto banquete de bacalhau?

Sábado à noite, quando a cabeça já não funcionava direito, veio-me à cabeça uma resposta que tentarei transcrever abaixo. Acho que o amigo que me ouvia (conhecido de outras postagens) ficou satisfeito e espero que lhe seja igualmente útil, independentemente do credo que você professe.

Três armadilhas

É óbvio que essa cristalização na ignorância provém de um longo processo cultural.

Em primeiro lugar, foram sendo acumulados sufocantes sedimentos ideológicos sobre a filosofia cristã, que é nossa matriz cultural originária, estabelecida em solo brasileiro pelos jesuítas. Tais ideologias foram o cientificismo materialista da reforma de Pombal, o liberalismo do século XIX, o materialismo evolucionista da Escola do Recife e o positivismo.

Ainda se poderia acrescentar, em período mais recente, o câncer deletério de Teilhard de Chardin e do marxismo, que afetou a própria teologia.

Em segundo lugar, no batalhão de intelectuais brasileiros (médicos, advogados e assemelhados com nível superior) encontram-se poucas inteligências. Por isso, nossos atuais “clerks” (“clérigos”, letrados, homens de escol, elite acadêmica) não passam de eternos estudantes especializados em investigações sem resposta. Muitos dos assim chamados pensadores brasileiros são meros repetidores enfadonhos de ideias importadas.

Em último lugar, crescemos achando que aprendizado é treino, que ter dúvidas é feio e que estudar é chato. O mapa da ignorância superior brasileira é proporcional às dimensões do país. Para dizer que o Brasil tem problema de memória, é preciso afirmar que antes tenha tentado decorar alguma coisa.

Solução de longo prazo

Para séculos de secularização e engodos filosóficos, serão necessárias algumas gerações aplicadas à reformulação intelectual do país. Esse será um projeto de longo prazo.

Virtude aplicável? Longanimidade. Para longos projetos, início imediato!

Solução de médio prazo

A renovação do quadro docente não se faz da noite para o dia. Enquanto não se formam novos professores desintoxicados, o campo continuará a ser arado pelos bois que leram Marcuse, Jacques Derrida, Nietzsche, Foucault, Simone de Beauvoir, etc.

Enquanto isso, resta-nos obstaculizar democraticamente os projetos nascidos dos juristas (mormente gaúchos) deformados pelo direito criativo aprendido na faculdade.

Solução de curto prazo

Estudar. Estudar. Estudar.

Não há outra fórmula para libertar-se da paralisia intelectual. Questão de tempo, questão de dedicação, questão de prioridade.

*****

E a você? Que temas o espicaçam? O que você tem estudado?
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